Ultimamente tenho escutado a mesma queixa em que as pessoas relatam estar vivenciando conflitos familiares e não sabem o que fazer para solucioná-los. As pessoas parecem estar “por um fio”, na carga máxima de estresse, demonstrando falta de manejo nas relações familiares.
Todos sabemos que relacionamentos são complexos, apresentando dificuldades e desafios constantes. Contudo, tenho observado que as pessoas raramente se responsabilizam em aceitar sua parcela na dinâmica adoecida, sendo sempre o outro a pessoa difícil de se relacionar.
Para contextualizar esta temática, faço uma metáfora de um relacionamento difícil como dirigir um carro em uma avenida movimentada às 19: 00h. Ali, passam todos os tipos de meio de transporte e que não é incomum que alguns deles desrespeitem regras essenciais para a boa locomoção de todos, como o aumento de velocidade, manobras perigosas e ultrapassagem de limites. Inclusive existe um ditado popular que reza que em algumas situações, precisamos dirigir por nós e pelos outros para não colocar a própria vida em risco.
Assim, são os relacionamentos disfuncionais, onde uma das partes é passiva e a outra agressiva. Em alguns momentos, precisamos ter maturidade suficiente pelo sistema relacional como um todo para a partir daquele ponto ocorrer uma conscientização e um possível aprendizado através do exemplo prático.
O que está faltando nas relações são o treino de habilidades relacionais e o desenvolvimento de competências emocionais para que haja um equilíbrio. Enquanto devemos nos desvencilhar relacionamento abusivo, em outros relacionamentos precisamos investir na educação [parental] e o exemplo clássico é o vínculo com os filhos.
Como disse anteriormente, de relacionamentos abusivos poderemos nos desvencilhar, como por exemplo, o marido ou a esposa, o parente que não sai da sua casa e que se intromete em tudo, inclusive impondo regras em um lugar que não é o dele(a).
Quem nunca teve? A questão é que quando resolvemos dividir a vida com alguém e principalmente se este relacionamento desenvolver em casamento, teremos sim que nos relacionar em maior ou menor grau com a família da esposa ou do marido.
O pacote sempre vem junto e por isso insisto fortemente para que as pessoas conheçam não somente o futuro cônjuge, bem como o modelo da sua família, de como se comportam, de como se relacionam. É preciso saber em que campo estamos pisando e quem será a extensão da nossa família.
Sim, muitas vezes relacionar-se com familiares é como dirigir uma avenida no horário de pico, onde a preferencial é sua, mas o outro ultrapassa na maior velocidade possível e ainda buzina no seu ouvido. Mas, sendo filho, amigo, sogra, irmão, cunhado, parente ou aderente de 1, 2 ou de 3 grau, sempre vai existir aquele ou aquela que não respeita as regras da boa convivência.
O que fazer nestes casos? Elaborei 3 regras essenciais. Confira:
Dialogue, mostrando de forma respeitosa e empática que as regras da sua casa são estabelecidas por você e que precisam ser delimitadas e respeitadas. Como já relatei em um artigo anterior, o diálogo é tão importante que pode solucionar um mal-entendido ao mesmo tempo em que demarca de maneira assertiva através de uma comunicação não-violenta o que é necessário ser delimitado. Infelizmente, existem pessoas mal educadas emocional e relacionamento que só veem seu “ponto de vista” e que não são capazes de se colocar no lugar do outro. Mesmo assim faça a sua parte, mantendo seu equilíbrio emocional e mantendo com a pessoa “incompreensível” um distanciamento saudável e respeitoso. Ela ainda tem muito que aprender.
Esta é uma competência emocional e relacional pouco utilizada, mesmo que bastante difundida. Geralmente, as pessoas são passivas, agressivas ou passivo-agressivas. A assertividade pode ser treinada e está diretamente relacionada com a capacidade de uma comunicação eficiente, de modo a expressar de maneira clara, autentica, decidida, proativa, segura, direta e pacifica o que se pretende transmitir para o outro.
Não faça tempestade em copo d’agua, observe se você está sendo intolerante ou catastrofizando a situação. A palavra de ordem é ter bom senso, ser tolerante, flexível em fazer acordos que possam beneficiar a todos, fazendo leituras ambientais de maneira mais racional e respeitando os limites e espaço do outro. A tolerância é a capacidade de reconhecer no outro uma alteridade que é igualmente legítima, onde a partir destas diferenças temos a oportunidade única de olhar o mundo com as lentes do outro.
Texto da psicoterapeuta, expert em Medicina psicossomática, Soraya Aragão. Saiba mais sobre o seu trabalho aqui.
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