Diz-nos o ditado popular que atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher. Ou ao lado, ou à frente. Ou onde eles quiserem. Este não é o caso da relação de amor entre o escritor José Saramago e Pilar del Rio. Logo ao se conhecerem já passaram a viver juntos e jamais se separaram até a morte dele. Uma parceria tardia, mas que durou um vida.
A importância de Pilar del Rio para José Saramago está além de o grande amor de sua vida. A relação deles transcendeu a compreensão humana. Era uma sintonia divina. Pilar foi leitora, revisora e tradutora de suas obras para o espanhol. Saramago não tinha nenhuma ideia e não escrevia nenhuma palavra sem que Pilar tivesse o conhecimento ou contato antes de qualquer um. Pilar, uma das maiores jornalistas de seu tempo e atual presidente da Fundação José Saramago. Ela viveu e se eternizou em cada palavra dele, ela era cada palavra dele.
Não é a toa que grande parte das obras de José sejam dedicadas a ela. Cada uma de um jeito, de uma forma, de uma cor diferente com as múltiplas tonalidades do que se pode chamar o amor genuíno entre um homem e uma mulher.
“As dedicatórias saem-me com toda a naturalidade. Como são. Não me pergunto eu a mim mesmo o que significam. A não ser significarem obviamente o que tem de significar que é o querer a essa pessoa. E, portanto, manifestá-lo dessa forma.
Tenho muitas razões para pensar, por exemplo, que o grande acontecimento da minha vida foi exatamente esse. Foi ter conhecido a ela. (…) Imagina que eu não tivesse conhecido ela. Você poderia dizer: “Ah, mas você teria conhecido outras mulheres” Mas não é disso que se trata, não é uma questão quantitativa. Era simplesmente o fato de ter conhecido a ela. Nada mais. E isso mudou a minha vida completamente”. José Saramago
Veja algumas das dedicatórias de José Saramago à Pilar del Rio, publicadas em seus livros.
Em Todos os Nomes: A Pilar
Em O homem duplicado: A Pilar, até ao último instante
Em Ensaio sobre a lucidez: A Pilar, os dias todos
Em A Caverna: A Pilar
Em As intermitências da morte: A Pilar, minha casa
Em As pequenas memórias: A Pilar, que ainda não havia nascido, e tanto tardou a chegar
Em A viagem do elefante: A Pilar, que não deixou que eu morresse
Em Ensaio Sobre a Cegueira: A Pilar (e a filha Violante)
Em Caim: A Pilar, como se dissesse água
Em O Evangelho Segundo Jesus Cristo: A Pilar
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