Psicologia e Comportamento

Às vezes, bloquear alguém não é criancice, mas estratégia de sobrevivência

Muitas vezes, somente conseguiremos prosseguir e nos fortalecer, quando pudermos confinar alguns sentimentos, lembranças e pessoas na área do esquecimento.

A melhor maneira de cultivarmos nossos relacionamentos, para que eles durem, é o constante diálogo, a fim de que não se acumulem pendências de nenhum lado. Falar o que incomoda com sinceridade evita futuros rompantes de discussões pesadas, por carregarem o que se calou por muito tempo. Infelizmente, porém, nem sempre será possível se acertar com o outro, tampouco continuar a conviver amigavelmente com ele.

Muito se fala, hoje, sobre a necessidade de mantermos certa cordialidade com as pessoas que saem de nossas vidas, para agirmos como alguém maduro e bem resolvido. Acontece que existem coisas que não foram nem nunca serão bem resolvidas, pois terminaram após muita mágoa, dor e decepção. A gente sobrevive, a gente se recompõe e segue, mas vai carregando muitas cicatrizes nesse caminho.

Para que possamos retomar as rédeas de nossa própria vida, após sairmos de um relacionamento em que tanto investimos, será preciso tempo, calma e distanciamento.

Sim, teremos que nos distanciar daquela rotina a que nos acostumáramos, para que nosso emocional se acostume a uma nova situação afetiva. E isso implica, muitas vezes, evitar quem já não mais será parte de nós, porque então teremos que acordar, todos os dias pela frente, sob uma nova perspectiva de vida. E dói.

Isso também vale para outros tipos de relacionamentos além dos amorosos, uma vez que, em muitos casos, somente conseguiremos prosseguir e nos fortalecer, quando pudermos confinar alguns sentimentos, lembranças e pessoas na área do esquecimento.

Não há demérito algum em ignorar, bloquear no face e na vida, em evitar qualquer tipo de contato com pessoas que nos machucaram demais, pessoas falsas, tóxicas.

Caso tenham filhos em comum, então a história muda, pois os pais devem conversar sobre aquilo que diz respeito aos filhos, sim.

Não podemos prever os acontecimentos, o desenrolar das tramas que tecem nossa vida, tampouco mandaremos em nossos corações, entretanto, sempre teremos a possibilidade de optar por quem permanecerá ou não em nossa caminhada.

Não será uma tarefa fácil e tranquila, muito pelo contrário, mas é assim que a gente faxina a alma e prossegue na lida.

Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

Recent Posts

Neurobiologia do autoengano: o cérebro não interpreta a realidade apenas, ele também a constrói

Pare por um instante. Preste atenção na sua respiração agora e nessa calma fingida da…

2 dias ago

Eu ainda sou aquela criança que brincava na poça d’água como se navegasse num oceano

Eu estou sempre perdendo coisas. Quando eu preciso de caneta, não sei o que me…

2 semanas ago

Os postais propagandas de 1900 a 1914 que mostram como o machismo foi disseminado

A luta pelos direitos das mulheres se cruza, em diferentes momentos, com outras lutas por…

2 semanas ago

5 maneiras de desconstruir em si mesma o mito da mulher infalível – Com Gabor Maté

Quando o corpo diz basta: o adoecimento das mulheres e o mito do normal Por…

4 semanas ago

As 10 Melhores Séries de Drama para Maratonar Agora

Quando o assunto é drama de qualidade, poucos gêneros conseguem prender a atenção como aquele…

1 mês ago

Sem acessibilidade para denunciar, o Estado se torna cúmplice da violência sofrida por mulheres com deficiência

Certas existências a história registra como extraordinárias, transformando-as em pontos de admiração da humanidade. Outras,…

2 meses ago