Categories: Pais e Filhos

Crianças indígenas desenham seus ‘sonhos’ na areia

A educação é a melhor ferramenta, mas precisa se atualizar, assim como o mundo está se atualizando. Infelizmente a educação fica sempre correndo, a passos lentos, atrás da modernidade. É preciso criar uma forma de atualização mais rápida para que ela cumpra com seu papel. Por incrível que pareça, temos de voltar a aprender com o passado para que se pense nas pessoas como produtoras capazes de transformar a sociedade e criar uma massa crítica. É o questionamento que gera mudanças. A escola deve ser esse instrumento. Ela é o espaço onde jovens e crianças aprendem a questionar a sociedade em que vivem e assim se tornam sujeitos capazes de transformá-la.

A literatura indígena surgiu no Brasil há cerca de 20 anos. Existia sempre a crença de que o indígena é um ser da oralidade, mas muitos indígenas começaram a frequentar a universidade. Aprenderam os elementos da cultura ocidental e fazem aquilo que a cultura tem que fazer que é: se atualizar e assim criar respostas. Uma das respostas é a literatura. Os indígenas foram para o cinema, música, teatro, internet. A literatura não é só um instrumento de escrita, mas faz parte da essência. Adquirir essa técnica foi importante para que os indígenas fossem capazes de escrever a própria história. Fico feliz por ser um dos pioneiros nisso, ter passado pela universidade, feito mestrado, doutorado e, sobretudo, por poder ter usado todos os conhecimentos que acumulei na cidade aliados aos saberes que eu trazia do meu povo para poder criar o que é chamado de literatura indígena. Ela é uma maneira para educar a sociedade brasileira, ensina a olhar para os povos indígenas não com o olhar do colonizador, mas com o olhar das próprias comunidades. A maioria dos 47 livros que publiquei é para crianças e jovens, mas digo que é para todo mundo. Porque eu escrevo não exatamente para crianças e sim para a infância das pessoas e todo mundo tem e teve uma infância. Não que sejamos crianças o tempo todo, mas a nossa infância é sagrada.

Texto de Daniel Munduruku,educador indígena, autor de 47 livros publicados.

Portal Raízes

As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

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