Psicologia e Comportamento

Intimidade não significa amor – Osho

O amor é muito raro. Tocar o cerne de uma pessoa é enfrentar uma revolução, pois, se você quiser tocar uma pessoa em sua essência, terá de deixar que essa pessoa toque a sua essência também. Você terá que ficar vulnerável, absolutamente vulnerável, aberto.

É um risco. Deixar que alguém toque a sua essência é arriscado, perigoso, porque você nunca sabe o que essa pessoa fará com você.

E depois que todos os seus segredos forem devassados, depois que tudo o que você esconde for descoberto, depois que você estiver completamente exposto, o que a outra pessoa vai fazer com isso, nunca se sabe. O medo aparece. É por isso que nunca nos abrimos completamente.

Basta que haja intimidade para que você ache que o amor aconteceu. *Periferias  se encontram e achamos que nos encontramos. Você não é a sua periferia. Na verdade, a periferia é a fronteira onde você termina, a cerca ao seu redor. Não é você! A periferia é o lugar onde você termina e o mundo começa.

Mesmo casais que vivem juntos há muitos anos podem ser meros conhecidos. Podem não se conhecer de verdade. E quanto mais você vive com uma pessoa mais esquece que a essência dela continua intocada.

Então a primeira coisa a ser entendida é: não confunda intimidade com amor. Vocês podem estar fazendo amor, podem se relacionar sexualmente, mas o sexo também é periférico. A menos que as essências se encontrem, o sexo é apenas o encontro de dois corpos. E o encontro de dois corpos não é um encontro. O sexo também continua a ser intimidade — física, corporal, mas ainda é só intimidade. Você só consegue deixar alguém conhecer a sua essência quando não está com medo, quando não teme.

Existem dois tipos de vida: uma norteada pelo medo e a outra norteada pelo amor. A primeira talvez nunca o conduza a um relacionamento profundo. Você vive com medo, e o outro não tem permissão, não tem aval para chegar até você, para tocar a sua essência. Você dá essa permissão ao outro até certo ponto, mas depois disso uma parede se ergue e a coisa fica inerte a partir dali.

A pessoa norteada pelo amor é aquela que não tem medo do futuro, não tem medo do resultado ou da consequência; ela vive aqui e agora. Não se preocupa com o resultado; quem se preocupa é a mente norteada pelo medo. Não pensa no que vai acontecer fora dela. Contenta-se em ficar aqui e agir de corpo inteiro. Não calcula. O homem norteado pelo medo está sempre calculando, planejando, fazendo arranjos, garantindo. Ele perde a vida inteira fazendo isso.

*Periferia:linha que delimita uma superfície; circunferência.

Osho, em “Coragem: O Prazer de Viver Perigosamente” . OSHO ® é marca registrada da OSHO International Foundation.

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As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

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