Sociologia e Política

Os postais propagandas de 1900 a 1914 que mostram como o machismo foi disseminado

A luta pelos direitos das mulheres se cruza, em diferentes momentos, com outras lutas por igualdade. Mas não houve uma experiência única: raça, condição jurídica, classe social e região influenciavam profundamente a vida de cada mulher. No Brasil colonial, estruturado pelo patriarcado e pela escravidão, o acesso à educação formal e à participação política era muito restrito. Ainda assim, é impreciso dizer que todas as mulheres eram “propriedade” dos pais ou maridos: mulheres livres e escravizadas ocupavam posições jurídicas e sociais distintas. As mulheres escravizadas eram submetidas à escravidão e à violência de seus proprietários; algumas mulheres livres, por sua vez, chegaram a administrar bens, trabalhar e atuar no comércio. Fonte: Arquivo Nacional.

A mobilização pelo voto feminino no Brasil não começou simplesmente em 1919 nem foi apenas uma ideia importada da Europa. Naquele ano, o senador Justo Chermont apresentou um projeto favorável ao voto das mulheres, após receber um abaixo-assinado; a proposta não foi aprovada. Bertha Lutz, que estudou na Europa e teve contato com o movimento sufragista inglês, e Maria Lacerda de Moura participaram da organização da Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher. A associação se formalizou por volta de 1920 e, em 1922, a mobilização ganhou novo formato com a criação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, liderada por Lutz. Fontes: Estudo na Revista Estudos Feministas; Memória Eleitoral do TRE de Minas Gerais.

O voto feminino foi reconhecido nacionalmente pelo Código Eleitoral de 1932, instituído pelo Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro, durante o governo de Getúlio Vargas. A Constituição de 1934 consolidou o direito, mas manteve diferenças: para as mulheres, o alistamento e o voto eram obrigatórios quando exercessem função pública remunerada. Fontes: Tribunal Superior Eleitoral; Câmara dos Deputados.

Postais antissufrágio do início do século XX

No início do século XX, postais antissufrágio ridicularizavam as mulheres que defendiam o direito ao voto. Muitos retratavam homens cuidando da casa ou das crianças para sugerir que a participação política feminina ameaçaria a família e os papéis tradicionais de gênero. Essas imagens faziam parte de uma campanha de propaganda e não eram retratos neutros das consequências do sufrágio. O acervo citado pelo Portal Raízes reúne materiais relacionados à luta pelo voto feminino nos Estados Unidos e no Reino Unido. Fontes: Arquivo de postais de Catherine H. Palczewski, Universidade do Norte de Iowa

Estes postais pertencem ao arquivo de Catherine H. Palczewski, professora na Universidade de Iowa do Norte, que os tem colecionado ao longo dos últimos 15 anos.

Quero votar, mas a minha esposa não me deixa. | No quadro: Todos trabalham menos a mãe: ela é uma sufragista.
Origem e desenvolvimento de uma sufragista. Aos 15 uma princesinha, aos 20 uma coquete, aos 40 ainda não se casou, aos 50 uma sufragista.
Quando as mulheres votarem. O trabalho do marido: segunda dia de lavar a roupa, terça remedar a roupa, quarta limpar a casa, quinta esfregar o chão, sexta ir ao mercado, sábado outros tipos de trabalho e domingo ainda mais trabalho.
Que divórcio?
No dia das eleições!
Não se preocupe, o pior ainda está para vir.
A vida é um aborrecimento, um atrás do outro.
Isto não é um trabalho de homem.
O lugar de uma mulher é em casa.
O que eu faria às sufragistas.
A mãe ganhou o hábito.
Não fiz nada, mas não o volto a fazer.
As sufragistas a atacarem um policial.
A descarregar no marido: digo-te que vamos ter o direito de voto.
Sufragistas que nunca foram beijadas.
Enigma: encontre o chefe de família
Ninguém gosta de mim por isso vou ser uma sufragista.

As Sufragistas: “Nós não queremos quebrar as leis. Nós queremos fazer as leis”

Portal Raízes

As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

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