Paulo Leminski foi um dos mais expressivos poetas de sua geração. Influenciado pelos irmãos Augusto e Haroldo de Campos deixou uma obra vasta que, passados 27 anos de sua morte, continua exercendo forte influência nas novas gerações de poetas brasileiros. Seu livro “Metamorfose” foi o ganhador do Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Entre suas traduções estão obras de James Joyce, John Fante, Samuel Beckett e Yukio Mishima. Na música teve poemas gravados por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Guilherme Arantes; e parcerias com Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik e Wally Salomão.
Paulo Leminski morreu no dia 7 de junho de 1989, em consequência de uma cirrose hepática. As citações abaixo são do livro “Melhores Poemas de Paulo Leminski” – Editora Global – organizado por Fred Góes.
Citações:
Sete horas
acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
Só não fazia sentido
Oito horas
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
Nove horas
dia sem senso
acendo o cigarro
no incenso
Dez horas
nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez
Onze horas
isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
Doze horas
hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
Treze horas
não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino
Quatorze horas
amar é um elo
entre o azul
e o amarelo
Quinze horas
eu a teus pés derramado
pouco resta do que fui
de ti depende ser bom ou ruim
serei o que achares conveniente
serei para ti mais que um cão
uma sombra que te aquece
um deus que não esquece
um servo que não diz não
Dezesseis horas
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia
Dezoito horas
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
Dezenove horas
A noite me pinga
uma estrela no olho
e passa.
Vinte horas
ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo
ele veio meio a esmo praticamente
não disse nada e ficou por isso mesmo
Vinte e uma horas
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
Vinte e duas horas
Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.
Vinte e três horas
Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante
Vinte e quatro horas
Escrevo. E pronto.
“Samurai e malandro, Leminski ganha a aposta do poema, ora por um golpe de lâmina, ora por um jogo de cintura. Tão rápido que nos pega de surpresa; quando menos se espera, o poema já está ali. E então o golpe ou a ginga que o produziu parece tão simples que é quase um desaforo”.
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