O psicoterapeuta Leo Fraiman, especialista em psicologia educacional e mestre em desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP) traz à lume, importantes contribuições acerca de como educamos nossos filhos para a autonomia crítica e não para uma lesão emocional, em nome do que chamamos de felicidade. Segundo o psicoterapeuta:
“Se a criança não é treinada a esperar, a criar, a negociar, a ceder e a se frustrar, você está lesando emocionalmente a criança. É como fazê-la andar com uma perna amarrada. A criança ficará chata, birrenta, gastadeira, neurótica, depressiva e provavelmente drogada, porque ela precisará de outra coisa para acalmá-la porque ela não desenvolveu a autonomia, ela não manda de dentro pra fora no seu mundo, ela precisa do outro”.
Alguns pais, na busca narcísica de tornar os filhos felizes, acabam lesando-os emocionalmente, pois sem o contato com a frustração eles aprendem a serem sempre atendidas. Em nome de se ter felicidade acaba-se criando o infortúnio da criança e de todos à sua volta.
Sempre atender caprichos não é ser legal, é ser egoísta, é procurar o meio mais fácil de permanecer na zona de conforto. Ás vezes por querer compensar suas próprias negligências como pai ou mãe, molda-se um ser que será um adulto atrofiado emocionalmente. Mas como ensinar a esperar, negociar e se frustrar? Confira:
Treinar a criança a esperar desenvolve paciência, autocontrole e resiliência. Essas habilidades são essenciais para lidar com as demandas da vida adulta. Crianças que aprendem a esperar compreendem que nem tudo acontece imediatamente, o que favorece uma mentalidade mais madura e preparada para lidar com os tempos da vida.
– Pratique o “tempo de espera” com atividades simples, como aguardar a comida no forno ou esperar a sua vez em jogos.
– Use cronômetros visuais ou contagens regressivas para ajudar a criança a visualizar o tempo.
– Reforce positivamente o comportamento de espera, elogiando a paciência demonstrada.
A negociação ajuda a criança a desenvolver habilidades sociais, pensamento crítico e empatia. Ao negociar, ela aprende a considerar diferentes perspectivas, fazer concessões e buscar soluções que atendam às necessidades de todos.
– Escute a criança e valorize sua opinião, incentivando o diálogo em vez da imposição.
– Ofereça escolhas controladas, permitindo que ela participe de decisões do cotidiano.
– Dê o exemplo ao demonstrar como você negocia conflitos ou toma decisões colaborativas em sua vida.
A frustração é inevitável, e aprender a lidar com ela é crucial para desenvolver resiliência emocional. Crianças que lidam bem com frustrações são mais adaptáveis, confiantes e menos propensas a desistir diante de desafios.
– Não ceda imediatamente aos desejos da criança; permita que ela vivencie frustrações controladas.
– Explique que erros e dificuldades são oportunidades de aprendizado.
– Demonstre como você mesmo lida com frustrações, usando linguagem apropriada e estratégias saudáveis, como respiração profunda ou reflexão.
Os pais são os primeiros modelos de comportamento para as crianças. Ensinar pelo exemplo é mais poderoso do que palavras:
– Demonstrar paciência: Mostre como você espera sem reclamar em filas ou no trânsito.
– Praticar negociação: Envolva os filhos em decisões familiares e demonstre como alcançar soluções que beneficiem todos.
-Mostrar resiliência:Quando algo não dá certo, explique como você lida com isso de forma saudável, evitando explosões emocionais.
Os pais podem reforçar esses aprendizados ao criar um ambiente seguro, consistente e amoroso, onde erros são vistos como parte do crescimento e os desafios são tratados como oportunidades.
Veja mais sobre a fala de Leo Fraiman:
Educar filhos é, ao mesmo tempo, moldar pelo exemplo, ensinar a conviver com frustrações e…
A medicalização da infância se tornou um dos temas mais inquietantes da contemporaneidade. Em um…
Vivemos em um tempo de convivência rarefeita. As casas continuam habitadas, mas os encontros diminuíram.…
Nesta primeira semana do Big Brother Brasil 26, um episódio ultrapassou a lógica do conflito…
Nos últimos meses, uma série de reportagens publicadas na imprensa nacional e internacional tem acendido…
Desde os primeiros dias de vida, antes mesmo da palavra e da memória narrativa, o…