O conceito de finitude nos é passado desde a infância como sendo algo que nos traz grande sofrimentos e traumas capazes de nos deixar doentes por longos anos. Entretanto a finitude precisa ser ensinada com mais leveza, aceitação e até mesmo como a grata e bela recordação do privilégio de ter convivido aquela pessoa querida. Afinal, a morte não precisa significar um fim tangente, mas um recomeço infindável. Especialmente se você puder ‘ficar para semente’.
Como propõe o cemitério BioParque de Nova Lima, em Minas Gerais. O BioParque nos lembra muito o projeto Capsula Mundi, dos designers italianos Anna Citelli e Raoul Bretzel, que é uma cápsula orgânica e biodegradável que converte diretamente corpos humanos em nutrientes para as árvores. No Brasil, o conceito, chamado de “inusitado, sustentável e contemporâneo” e consiste em colocar as cinzas humanas em vasos ornamentais e nelas depositar a semente de uma espécie arbórea, possivelmente a árvore favorita da pessoa homenageada, e e acompanha todo o processo de crescimento da muda até ela chegar ao tamanho ideal para ser colocada no solo.
“Prestar uma homenagem, plantar uma árvore, um marco memorial, literal e simbólico. trazer uma nova percepção sobre todas essas questões, cultivar lembranças, preservar histórias e valorizar a vida, esse é o propósito do BioParque”, diz Hugo Tanure, Head de investimentos da SevenCapital, uma das empresas responsáveis pelo parque.
Aqueles que optarem por homenagear seus entes queridos participam de todo o processo. Em um primeiro momento, é preciso escolher a espécie de árvore que vai ser plantada: Pau Brasil, Acácia, Jacarandá e Quaresmeira são algumas das opções. A semente então é depositada em uma urna ecológica 100% biodegradável em que o substrato é colocado acima das cinzas. Os vasos são identificados com um QR Code. O BioParque se compromete a informar às famílias quando a semente germinar.
Depois que o processo de crescimento da muda chegar ao tamanho ideal, a arvorezinha é transferida para o local de escolha da família dentro do parque. Há a opção de colocar um totem para homenagear quem morreu. O parque não é totalmente aberto à visitação. Somente clientes e convidados de clientes são autorizados a entrar no local.
“A família procura o BioParque em algumas situações, se já têm as cinzas em casa e resolvem dar uma destinação, ou se perderam alguém recentemente e acabaram de optar pela cremação. Também há famílias se desfazendo de jazigos e, ao repensar o sepultamento e um ente querido optam por fazer a exumação, a cremação e fazer a homenagem no BioParque e, em muitos casos, quando querem pensar nisso para o futuro”, explica Hugo Tanure.
O empresário diz que houve aumento da procura no contexto da pandemia de COVID-19. “Posso te dizer que foi, no mínimo, 200% de aumento”, comenta. “As pessoas nos procuram no sentido de substituir o velório que vão fazer ou que não puderam fazer (para evitar aglomerações), já que a cerimônia pode ser feita a qualquer tempo e, em algum momento, poderão convidar familiares e amigos para se despedirem fazendo uma homenagem”, comenta.
Em função da necessidade de isolamento social, o parque em Nova Lima só abrirá para visitação no segundo semestre de 2021. O espaço contará com uma galeria para exposições de arte, orquidário e Jardim Botânico.
Uma nova unidade deve ser inaugurada ainda este ano em São Paulo. O grupo pretende abrir outras unidades em Brasília (DF), Salvador (BA), Curitiba (PR) e no Rio de Janeiro (RJ). Cada unidade terá capacidade para o plantio de 30 mil árvores.
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