Monja Coen, uma das vozes mais significativas do Zen Budismo Soto no Brasil, fala de transformação não como teoria, mas como quem atravessou incêndios internos e, ainda assim, escolheu recomeçar. Em seu livro Ponto de Virada, ela revela que encerrar ciclos não é um ato mágico nem repentino. A mudança verdadeira costuma brotar quando o sofrimento já não cabe mais no corpo ou quando finalmente percebemos que certos padrões, antes tão familiares, já perderam qualquer utilidade. É nesse instante de lucidez meio teimosa, meio libertadora, que nasce o gesto íntimo de virar a página.
“Mudar dá trabalho. Mudar exige que a gente deixe de ser quem foi por tanto tempo. Mas permanecer onde nos machuca é tortura”.
É exatamente aqui que a sabedoria da Monja Coen encontra o pensamento de Freud. Ele dizia que quando a dor de não estar vivendo é maior do que o medo da mudança, a gente muda. Aqui, minha Coen comunga com Freud na teoria de que a transformação integral do indivíduo, pode acontecer por intermédio de seu confronto com a dor.
Não imediatamente, mas com movimentos pequenos, cotidianos e possíveis, como a criança que aprende a andar: meio-passo, meio-passo. Claro, segundo ela, a mudança nos passos não é mágica, mas cada atitude em direção a si mesma instiga forças que se juntam para movimentos menos assustadores e mais naturais.
Cada item é inspirado tanto na ideia de consciência e prática da Monja Coen quanto no entendimento freudiano de que mudar é um processo que começa quando reconhecemos a própria dor.
Reserve alguns minutos para olhar para sua vida com honestidade. Monja Coen ensina que observar a própria mente é o primeiro passo. Sem observação, não há transformação.
Freud lembraria que negar a dor só prolonga o sofrimento. Nomear o que dói já inicia o movimento de cura.
Pode ser um minuto. Pode ser cinco. Silêncio é uma forma de limpar o excesso de ruído interno e perceber o que está pedindo mudança.
Não precisa ser tudo de uma vez. Escolha uma repetição tóxica e experimente deixá-la ir por um dia. Só um. Depois outro. E outro.
Essa pergunta cria fendas no automatismo que nos prende ao passado.
Não precisa ser spa ou banho de luz. Pode ser água, descanso, um alimento mais leve, uma pausa. Pequenos cuidados reorganizam o corpo e a mente.
Pode ser uma gaveta arrumada, um caderno novo, uma planta na janela. O ambiente importa.
A mudança ganha força quando não caminhamos sozinhos. Um ouvido sincero pode ser o ponto de virada que faltava.
A coragem não vem da ausência de medo, mas do movimento apesar dele. Freud compreendia o medo como parte do processo, não como obstáculo final.
Mudar não acontece num dia. Acontece um dia após o outro. Como a meditação, como a vida.
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