Psicologia e Comportamento

O pior castigo de certas pessoas é ter que aguentar a si mesmas o dia todo

Tem gente que parece nuvem, que chega sempre para nublar o dia, estragar a praia, o churrasco, a piscina. Carregam o “efeito gangorra”: quando se sentam, todo mundo se levanta. Gente chata pra caramba, que não consegue ser agradável nem por um minuto.

Tem gente que atrasa a vida da gente, pois somente enxerga o lado negativo de tudo, antecipando toda desgraça que poderá ocorrer – se ocorrer. Preveem tempo ruim, congestionamento, traição, decepção, cara contra o muro. Preveem sempre o fim das coisas, o término do relacionamento, da amizade, do contrato, do emprego, do sorriso.

Tem gente que reclama de tudo e de todos. Nada nunca está bom, ninguém nunca é legal, nenhuma bebida relaxa, nenhuma comida contenta. Lamentam dores pelo corpo, tempo perdido, falta de grana. Lamentam o que não fizeram, o que não disseram, o que nunca será possível em suas vidas.

Tem gente que sempre é o centro de tudo, que já passou por todas as experiências possíveis, já sentiu todas as dores do mundo, já fez cirurgia até no lóbulo da orelha. Se falamos que estamos com alguma preocupação, prontamente puxam a conversa para si, expondo algum sofrimento deles que sempre é muito pior do que o que estamos sentindo.

Tem gente que ironiza tudo, fala com sarcasmo, apelida, faz gracinha sem graça, mexe com quem não deveria. Procuram alguma característica do outro para transformar em chacota, riem de quem estiver por perto ou nem tão perto assim, mas nunca riem de si mesmos. Zombam de tudo e de todos, sem se importar com os sentimentos de ninguém.

Tem gente que trata mal os outros, como se o mundo estivesse ali para servir e bajular seu ego. São rudes com vendedores, com garçons, com frentistas, com colegas de trabalho. Humilham seus empregados, seus subalternos, humilham quem estiver abaixo de seu poder hierárquico. Destratam, ofendem, agridem.

Tem gente que só sabe falar mal de qualquer um, especialmente de quem não estiver por perto. Fofocam sobre familiares, amigos, conhecidos. Fofocam em casa, no trabalho, na escola, na rua. Maldizem, destilam veneno, xeretando sobre tudo o que não é de sua conta.

Teve um tempo em que eu ficava triste e até me deixava levar pela negatividade alheia. Hoje é diferente. Hoje eu faço de tudo para que não joguem em mim lixos que não são meus. Às vezes, eu ainda me chateio com algumas pessoas, mas daí eu lembro que o pior castigo delas é terem de se aguentar vinte e quatro horas por dia. Já Pensou?

Texto de Prof. Marcel Camargo

Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

Recent Posts

Uma criança não pode abrir ou fechar a porta do consentimento. Ela não alcança a maçaneta

Durante séculos, a infância foi compreendida mais como um território de autoridade adulta do que…

11 horas ago

Seu filho herdará os seus hábitos: isso te alivia ou deixa preocupado?

Durante muito tempo acreditou-se que a herança entre pais e filhos se limitava à genética.…

1 dia ago

Pesquisa revela os jogos de cassino mais populares de 2025 em plataforma brasileira

Levantamento mostra preferência por títulos de caça-níqueis e destaca fornecedores que concentraram maior presença entre…

5 dias ago

A forma como se educa a criança hoje revela o projeto adulto que se deseja finalizar

A humanidade, ao longo de sua história, tem assistido e, por vezes, normalizado a violência…

5 dias ago

“Eu gostaria que as meninas pudessem errar como os homens erram: sem precisar se esforçar o dobro para receber o mínimo”

Em um discurso que ressoa com a urgência dos desafios contemporâneos, Michelle Obama, advogada, escritora…

1 semana ago

O trauma não se mede pela gravidade do que aconteceu, mas como a criança o sentiu

Na infância, aprendemos cedo a conter o choro, a silenciar o incômodo, a não “dar…

2 semanas ago