“Não é justo nos referirmos ao casal como ‘pais’, porque a mãe então desaparece. Quando escola convoca os pais, quem mais atende são as mães, e quando as mães são chamada, quase nenhum pai comparece à reunião. Na maioria das vezes, os filhos ainda são responsabilidade da mulher, mesmo que ela trabalhe fora e tenha participação importante no orçamento familiar.
A mulher saiu para o mercado de trabalho sem deixar de ser mãe. Nem por isso os homens se tornaram mais ‘pais’. Só recentemente alguns homens começaram a participar mais da educação dos filhos. […]
Por outro lado, a maioria dos livros de educação continua a frisar demasiadamente a figura materna, perpetuando a indevida sobrecarga da mãe e aliviando a do pai. […] Pai não é melhor que mãe nem vice-versa. São apenas diferentes. E essas diferenças ampliam as possibilidades educativas, trazendo retornos relacionais mais ricos.
Paternidade é uma função própria do pai, com direitos e obrigações familiares importantes. Pai não é coadjuvante da mãe, é seu complementar. A mãe costuma pedir ajuda ao pai: ajude aqui, por favor, fique um pouco com as crianças! Ele acha que está apenas ajudando a mãe e não se sente fazendo a sua parte. Muitos pais nada fazem enquanto suas mulheres não pedem. Para os filhos não interessa se é a mãe que está muito ativa ou se o pai é muito passivo. O que eles precisam é de pai e de mãe.
Neste ponto, alguns pais reclamam que suas mulheres os tratam como se fossem filhos. Paternidade é a atitude de estar pronto a atender seus filhos, sem esperar que a mãe peça. Um pai acomodado, além de não ser um bom exemplo na família, estimula o filho a explorar a mãe.
Numa família assim pode se estabelecer uma confusão entre pai acomodado/pai bonzinho e mãe ativa/mãe rabugenta – quando na realidade o pai é negligente e a mãe ativa é obrigada a cobrar as obrigações de todos. Fica muito clara essa situação quando uma mãe reclama que ela é a ‘pãe’ da família. Ela tenta preencher também as funções de pai, o que é quase impossível. Há muitos homens, no entanto, que já assumem bem mais seu papel. Muito longe de querer substituir a mãe, eles querem tomar parte na educação do filho.
Excerto extraído do livro “Quem Ama Educa” – de Içami TiBa – Conheça mais da obra de Içami Tiba em sua página no Facebook. Içami Tiba (15/03/1941 * 02/09/2015) foi um médico psiquiatra, psicodramatista, colunista, escritor de livros sobre Educação, família e escolar, e palestrante brasileiro. Professor em diversos cursos no Brasil e no exterior, criou a Teoria da Integração Relacional, que facilita o entendimento e a aplicação da psicologia por pais e educadores.
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