A figura da sogra é frequentemente vista como um desafio na vida de um casal. Mas o que acontece quando essa relação se torna um verdadeiro drama, com o filho preso entre a mãe e a esposa? Este artigo, sob a ótica da Psicanálise, explora as complexas dinâmicas que transformam a sogra em uma figura “difícil” e o filho em um “refém” emocional. Abordaremos as raízes dessa posse materna ou da dependência filial, focando no conflito entre sogra e nora, mas reconhecendo que essas tensões podem surgir em diversas configurações familiares. Compreenderemos como a psicanálise oferece um percurso para desatar esses nós e restaurar a autonomia nos relacionamentos.
Você já se viu em um casamento onde a presença da sogra parece ser um terceiro elemento constante, gerando conflitos e minando a autonomia do casal? Essa triangulação, infelizmente comum entre Mãe-Filho-Nora, revela os efeitos nocivos de uma relação mal resolvida. De acordo com a Teoria Freudiana, o desenvolvimento saudável de uma criança envolve o sucesso nas Fases Psicossexuais e o que chamamos de “corte da castração” – um processo fundamental de separação e individuação, onde a criança aceita que não é o objeto exclusivo de desejo dos pais. No entanto, diversas questões podem impedir esse descolamento, como um psiquismo materno em desequilíbrio, que exerce influência e poder excessivo sobre o filho. Seja qual for a origem, essa dinâmica tóxica pode comprometer seriamente a liberdade e o sucesso das relações conjugais do filho adulto.
Podemos identificar, basicamente, duas principais origens para essa relação inadequada que afeta tantos casamentos:
Não se trata apenas da figura da “sogra chata” ou do “cônjuge permissivo”, mas sim de conflitos familiares profundos, gerados por questões psíquicas individuais. Tanto o filho quanto a mãe, em situações de dependência ou instabilidade, podem se beneficiar imensamente de um acompanhamento profissional. A Psicanálise, com sua abordagem profunda e investigativa, oferece um excelente percurso para a compreensão e tratamento dessas dinâmicas.
O ideal seria que o filho fosse o primeiro a buscar ajuda, pois seu relacionamento está em risco direto pela interferência de sua mãe. No entanto, é muito comum que ele não consiga enxergar a situação real, ou não tenha forças para estabelecer limites claros, acabando por culpar seu cônjuge por “implicância” ou “intransigência”. Nesses casos, a nora, que muitas vezes se sente a maior vítima, deve procurar ajuda para entender a dinâmica e encontrar maneiras eficazes de lidar com a situação, inclusive através da terapia de casal. É importante ressaltar que, dependendo do grau de lealdade entre o cônjuge e a sogra, e da resistência em buscar soluções, a saída, infelizmente, pode ser o fim do casamento.
Para a nora que se encontra nessa situação desafiadora, deixo aqui algumas sugestões de atitudes que podem ajudar a manter a ordem, o equilíbrio e a harmonia na relação, reafirmando seu lugar no casamento:
Compreender essas dinâmicas e agir de forma consciente é o primeiro passo para proteger a individualidade do casal e construir um casamento mais autônomo e feliz.
Texto de Denise Inácio de Carvalho Laudissi: arquiteta e urbanista de formação, com sólida atuação até 2021, que ampliou sua trajetória para o campo da saúde mental e do cuidado humano. Psicanalista, facilitadora em Constelação Familiar e terapeuta familiar, atua clinicamente, forma profissionais e ministra palestras e cursos. É professora no CETEP-Campinas e idealizadora de formações que integram psicanálise, simbolismo e ciclos da vida. Atualmente, aprofunda seus estudos em Psicanálise Clínica e Gerontologia, com foco especial no envelhecimento e na clínica contemporânea.
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