A empresa de biotecnologia ImmusanT criou uma vacina experimental para doença celíaca, que pode proteger pacientes dos efeitos do consumo de glúten – em outras palavras, permitir que eles comam a substância com segurança.
O tratamento, chamado Nexvax2, é um tipo de imunoterapia que visa “reprogramar” o sistema imunológico para ser tolerante ao glúten.
A vacina já foi testada em um pequeno grupo de pessoas, mostrando que é segura e bem tolerada entre pacientes com doença celíaca. Agora, os pesquisadores vão realizar um novo estudo clínico incluindo cerca de 150 pacientes, cujo objetivo é testar ainda mais a segurança e a eficácia do tratamento.
A doença celíaca é uma condição na qual o sistema imunológico das pessoas reage anormalmente ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, no centeio e na cevada. Essa reação, por sua vez, danifica o revestimento do intestino delgado.
Os sintomas incluem dor de estômago e inchaço, diarreia, vômito, constipação, perda de peso, fadiga e atraso no crescimento e na puberdade. Problemas de longo prazo podem incluir desnutrição e problemas no sistema nervoso.
Atualmente, a única maneira de gerenciar a doença é evitar os alimentos que contenham glúten pelo resto da vida. Mas, mesmo com o aumento da popularidade dos alimentos sem glúten, essas dietas podem ser difíceis de seguir, e os pacientes podem ser inadvertidamente expostos à proteína.
De acordo com Alice Bast, CEO da Beyond Celiac, uma organização de pesquisa sem fins lucrativos, contaminação cruzada com alimentos contendo glúten é sempre uma preocupação. Além disso, o glúten é encontrado em muitos produtos, como o batom.
“Até mesmo os pacientes mais diligentes podem sofrer os efeitos adversos da exposição acidental”, disse um dos pesquisadores do estudo, Jason Tye-Din, do Instituto de Pesquisa Médica Walter e Eliza Hall em Melbourne, na Austrália. “Os desafios maiores são quando os celíacos jantam fora, socializam e viajam. Um tratamento eficaz pode trazer de volta algumas das liberdades que as pessoas de nossa comunidade perderam”, argumentou Bast.
O Nexvax2 funciona de forma semelhante a outros tratamentos alérgicos, e consiste em injeções duas vezes por semana administradas durante um período de 16 semanas.
A vacina é composta de moléculas chamadas peptídeos, que provocam uma resposta imune em pacientes com doença celíaca. Em teoria, a exposição aos peptídeos ao longo do tempo pode ajudar a reprogramar as células do sistema imunológico, chamadas de células T, para se tornarem tolerantes ao glúten e não mais desencadear uma resposta imune à substância.
A terapia é destinada a pacientes com doença celíaca que carregam um gene do sistema imunológico chamado HLA-DQ2.5, encontrado em cerca de 90% dos indivíduos com a condição.
As injeções de manutenção podem ser dadas em casa com um dispositivo que injeta automaticamente a vacina sob a pele.
A empresa está atualmente recrutando pacientes na Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos para participar do estudo clínico.
A ImmusanT já completou cinco ensaios de fase 1 do Nexvax2. Os primeiros testes levaram os pacientes a vomitar, então a dose inicial da vacina foi reduzida. Ela é aumentada lentamente até as pessoas serem expostas a uma quantidade de glúten que é equivalente a dois pães.
Como a vacina afeta uma parte específica do sistema imunológico, não há preocupações sobre a supressão desse sistema. “A vacina tem como alvo apenas a parte do sistema imunológico que leva a complicações da doença celíaca em todo o corpo. Ao contrário dos tratamentos imunoterápicos para câncer, artrite reumatoide e doença inflamatória intestinal, Nexvax2 não suprime todo o sistema imunológico”, explicou Bast.
A fase 2 deve durar seis meses. De acordo com os cientistas, é muito cedo para prever quando a vacina estará disponível, ou para estimar seu custo.
Mas os celíacos já podem começar a comemorar… Abaixo a dieta “glúten-free”!
Fonte: Hypescience
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