Psicologia e Comportamento

Você realmente escuta ou viaja pra Marte até a sua hora de falar?

“Ouvir é muito mais do que permitir que o outro fale enquanto espera uma
chance de responder. Ouvir é prestar total atenção aos outros e acolhê-los em nosso próprio ser… uma forma de hospitalidade espiritual pela qual você convida estranhos a se tornarem amigos, a conhecer seu eu interior mais plenamente e até mesmo ousar ficar em silêncio com você”. Henri Nouwen (capa),um padre holandês, escritor, professor.

Partindo deste prisma podemos compreender que ao se sentar para conversa com alguém: um amigo, um filho, um companheiro ou um colega de trabalho, com que frequência você realmente está pensando nas palavras que saem da boca do outro? É raro estar atento ao que o outro está dizendo. E é aí que sai o involuntário “anrãn”.

Isso acontece porque estamos tão distraídos com a cacofonia de nossas redes sociais acionando em nossos Smartphones… além da nossa crescente lista de tarefas. Todas essas energias invasoras concorrem para falar e ouvir por nós. O outro que espere a sua vez. E se não estamos distraídos pela tecnologia, nossos próprios pensamentos pode nos impedir de ouvir a outra pessoa.

Muitas vezes pensamos que estamos ouvindo, mas na verdade estamos apenas considerando o momento certo para pular a história do outro e contar a nossa própria história, oferecer conselhos, ou mesmo fazer um julgamento, em outras palavras, não estamos dispostos a ouvir para compreender, mas sim para responder.

A escuta ativa é uma habilidade essencial e uma das melhores maneiras de se conectar com outra pessoa. A boa notícia é que é uma habilidade que pode ser melhorado com algum esforço. Também vale ressaltar que há uma nítida diferença entre ouvir e escutar. A audição é um ato fisiológico; escuta envolve nossa capacidade de descodificar o significado das palavras e os silêncios entre elas.

Por que ser um ouvinte ativo?

A investigação descobriu que a escuta ativa nos ajuda a focalizar e compreender os outros e também a melhorar nossas relações, promovendo a confiança.  E ainda reduz o conflito e aumenta a nossa capacidade de motivar e inspirar aqueles com quem estamos nos comunicando. Ouvir as histórias das pessoas, juntamente com o compartilhamento de nossa própria, pode nos levar a colocar a nossa atenção para o mundo de outra pessoa no sentido de fortalecer a cultura da conexão.

Há uma variedade de maneira que pode nos tornar melhores ouvintes. Aqui estão apenas 5:

  1. Prática para escutar o outro

O exercício seguinte leva apenas quatro minutos, mas irá prepará-lo para que a escuta ativa coloque você em ação nos seus encontros cotidianos: Encontre um participante voluntário. Em seguida, combinem de conversarem com um cronômetro ligado. Por dois minutos um de você vai falar prontamente enquanto o outro escuta. Se você é o ouvinte, não responderá durante os dois minutos, mas sinta-se livre para usar as expressões faciais ou acenar com a cabeça enquanto ouve. A ideia é ouvir as palavras em prol da escuta, não responda. Em seguida trocam de papéis por mais dois minutos. Uma pergunta para finalizar o  exercício: Como você se sente?

  1. Iniciar a partir de um lugar com a mente aberta para aceitar o argumento do outro

Muitos de nós, rotineiramente, julgam o que os outros dizem e raramente pensam sobre o benefício que a palavra do outro pode nos oferecer enquanto o ouvimos falar. Esses padrões irá permitir que você se concentre mais no que a pessoa está dizendo e menos na sua própria interpretação. Antes de entrar em uma conversa, formule a si mesmo as seguintes perguntas:

  • Posso ficar totalmente presente e ouvir, sem interromper, até o fim?
  • Posso evitar julgar o que a outra pessoa está dizendo?
  • Eu posso abster-me de dar conselhos?
  • Posso evitar interpretar a experiência dessa pessoa?
  • Posso me conter para não interferir com gestos inconvenientes enquanto o outro fala?
  1. Seja atencioso, mas relaxe o olhar.

A ideia por trás da escuta ativa é não forçar seus olhos ou concentrar-se muito, mas estar ciente do que o outro fala de uma forma natural e focada. É melhor bloquear sons e atividades para que as distrações não desviem a sua atenção. Se o padrão da fala de alguém ou o sotaque começa a chamar a sua atenção, traga o seu foco de volta para o conteúdo das palavras.

  1. Ouça as palavras e respeite o silêncio entre os dois

A maioria de nós considera as pausas desconfortáveis e o silêncio constrangedor.  Mas nas pausas podemos refletir sobre o significado do que uma pessoa acaba de dizer. Tente manter a sua mente focada para não viajar durante os momentos de silêncio; atrás da pausa pode haver significados interessantes.

  1. Faça perguntas abertas

Quando parecer oportuno faça perguntas a você mesmo, que estão em aberto, tais como: O que foi que e como você se sentiu?  A escuta vai fazer o diálogo melhor e dar-lhe a oportunidade de continuar com mais informações?

Todo mundo tem algo a dizer, uma história para contar, e considere as palavras que podemos aprender quando sabemos escutar. Saber ouvir é um ato de generosidade e educação. Encorajo-vos a escutar – realmente ouvir- aqueles que estão em torno de você.  Se quem fala é alguém que você conhece bem, um novo conhecimento pessoal ou um profissional, o certo é que aprenderá escutando. Você nunca sabe aonde as palavras de outra pessoa pode levar você.

Caren Osten Gerszberg, escritora especializada em psicologia positiva. Publicado originalmente em  Psychology Today – Tradução e adaptação livre: Portal Raízes

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As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

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