Quando falamos de criança feliz, não devemos confundir com a ideia de que ser feliz é nunca passar por frustrações, é nunca ser contrariado, nunca ouvir não, não ser inserido ás regras e à realidade do mundo. É evidente que a frustração, por mais que não gostemos dela, é uma parte da vida, e o seu filho sofrerá com ela mais cedo ou mais tarde. No entanto, uma criança feliz e bem criada terá as ferramentas necessárias para superar qualquer fase ou trauma.
Isto é, uma criança feliz não é uma criança mimada. O pequeno deve saber onde estão seus limites e o que pode e o que não pode fazer. No entanto, este conhecimento não tem por que ser dramático ou traumático. Uma criança que sabe que é amada, que é feliz em seu ambiente familiar, que diferencia as limitações da sua vida e as aceita é uma criança plena que crescerá em um ambiente excelente e será mais responsável e consciente de si mesmo e do que está acontecendo ao seu redor.
Nadine Burke Harris, pediatra canadense-americana, conhecida por relacionar experiências adversas na infância e o estresse tóxico com efeitos prejudiciais à saúde até a vida adulta, diz que é evidente que uma criança feliz terá uma existência mais plena e completa. Entretanto, ela lembra que jamais se deve confundir felicidade com excesso de mimos, liberdade sem limites e apegos por coisas materiais, pois esse é um erro que cria comportamentos tirânicos e dependentes.
Um estudo que testou uma premissa central da psicologia positiva em uma amostra de crianças pré-escolares, em Harris Early Learning Center em Birmingham, Alabama, revelou que crianças felizes são socialmente bem-sucedidas e apresentou 7 traços em comum com entre elas.
Agora vamos enumerar uma série de características que descrevem uma criança feliz, e como estas a tornam mais responsável por tudo que acontece em sua vida e ao seu redor:
Toda criança que vive feliz em seu ambiente familiar desenvolve um bom caráter. Isso é muito saudável, porque faz com que ela tenha mais facilidade para interiorizar os conceitos de justiça e honestidade. O bom caráter da criança feliz lhe dá várias virtudes. Uma criança que cresce em um mundo feliz aprende virtudes como a honestidade, a temperança, o amor, o sacrifício pelos outros, a empatia, a generosidade, a humildade e a capacidade de se esforçar para superar fases adversas da vida.
Toda criança feliz tem uma visão da vida muito mais positiva. É proativa e íntegra, e verá primeiro as soluções para os problemas que podem prejudicá-la. Ela irá trabalhar muito duro para superar a adversidade e será muito agradecida.
Uma criança feliz que tem uma relação saudável com seus pais será mais receptiva ao amor, ao apego emocional, à comunicação com os outros e aos ensinamentos que receber ao longo da vida.
Como dissemos, a criança feliz é mais receptiva e, portanto, mais permeável aos ensinamentos e conhecimentos. Neste sentido, entende melhor os exemplos, presta atenção quando alguém fala e escuta as diferentes opiniões de seus pais, sendo capaz de discernir o bem do mal, tirando suas próprias conclusões.
Uma criança que vive em um ambiente feliz aprende a distinguir suas prioridades. Por exemplo, ela sabe que o acesso aos brinquedos, à tecnologia e aos prêmios são um privilégio, nunca um direito. Ela entende o valor das coisas e respeita isso.
Uma criança feliz entende bem as mensagens e sabe distinguir entre o bom e o mal, pois desenvolve uma poderosa consciência autorregulatória. Isso graças à educação emocional, que a torna mais receptiva e consciente.
Uma criança feliz aprende a dar importância às prioridades da vida, como a família, a amizade, o amor, o altruísmo, a solidariedade, os valores e a ética. Desta forma, ela estará menos desorientada, desenvolverá mais cedo sua capacidade de discernimento e evitará cair em comportamentos de risco.
Pessoas fisicamente ativas e saudáveis tendem a ser mais felizes em qualquer idade, e as crianças com maior probabilidade de sair e se envolver em atividades físicas tendem a ter pais fisicamente ativos. Um estudo encontrou uma relação direta entre pais sedentários e crianças sedentárias.
Pesquisas sobre a saúde e a vida de crianças de baixa renda que não têm acesso ás telas, e consequentemente passam mais tempo com brincadeira que exigem mais atividade física e criatividade, são naturalmente mais felizes do que crianças que passam horas em frente ás telas. Consequentemente quando a criança tem oportunidades de exercer suas habilidades e de gastar sua energia com atividade lúdicas, longe das telas, elas vão preferir essas atividades. Outra coisa que a pesquisa descobriu é que crianças que ficam muito tempo em frente as telas são mais propicias á obesidade, que por sua vez pode impactar a felicidade. O fator mais importante que os pesquisadores descobriram foi a disponibilidade de telas e o tempo que passa com elas.
Um estudo descobriu que crianças com alto desempenho, embora muitas vezes inteligentes e contenciosas, eram ainda mais propensas a ter uma característica fundamental: coragem. A vontade de perseguir paixões apesar dos obstáculos pode ser o fator mais importante para uma criança conseguir o que deseja da vida a longo prazo.
Embora as recomendações exatas sobre a quantidade de sono que as crianças devem dormir tendam a mudar, as crianças bem descansadas tendem a ser fisicamente mais saudáveis e menos estressadas.
Uma revisão dos estilos parentais chineses e americanos encontrou benefícios e fraquezas, sugeriu que os pais envolvidos na vida acadêmica e emocional de seus filhos, terão jovens adultos mais bem preparados para o futuro profissional, bem como para toda sua vida psicoemocional.
Outro fator encontrado para impactar a saúde e o bem-estar das crianças são as rotinas, como a hora das refeições em família. É claro que comer juntos por conta própria não mudará a vida das crianças, mas a construção de hábitos sociais saudáveis pode torna-la uma pessoa mais agradável, sociável e responsável com os laços afetivos.
FOTO DE CAPA: Nadine Burke Harris, pediatra canadense-americana, foi Cirurgiã Geral da Califórnia entre 2019 e 2022; ela é a primeira pessoa negra nomeada para esse cargo. É conhecida por relacionar experiências adversas na infância e estresse tóxico com efeitos prejudiciais à saúde até a vida adulta. Aclamada como pioneira no tratamento do estresse tóxico na infância.
Da redação de Portal Raízes. Leia mais artigos da nossa seção Pais e Filhos
Certas existências a história registra como extraordinárias, transformando-as em pontos de admiração da humanidade. Outras,…
O professor Leandro Karnal em entrevista ao Poucas, falou sobre as negações de grupos de…
Uma pessoa não prospera com um cérebro em ameaça constante. Ela apenas sobrevive. Se olharmos…
Em que Lugar do Mundo uma Mulher está Realmente Segura? A formulação dessa indagação carrega,…
"Você sabia que os feminicídios e os suicídios representam 83% da causa de morte entre…
O neuropsicólogo espanhol Álvaro Bilbao, especialista em desenvolvimento cerebral infantil e autor do livro "O…