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“Percorri o inferno”, o sentimento comum de quem acordou do coma da Covid-19

Enfrentar o tratamento da Covid-19 pode ser um tormento para muitos pacientes. Isso porque, enquanto algumas pessoas nem apresentam sintomas, outras ficam em estado grave. Depois de mais de um semestre vivenciando a pandemia, podemos concluir que o novo coronavírus não é um resfriado comum: existem febres altas, dores de garganta e aperto no peito a tal ponto que parece que a vida está indo embora e o pior é que está mesmo, então é necessária ressuscitação. E é exatamente em casos assim que as maiores complicações aparecem, não somente físicas, mas também ao sofrimento psíquico com desejo de morte. Muitos pacientes que passaram pelo coma relataram que a sensação que tiveram foi de que haviam percorrido o inferno.

O que acontece com um paciente de Covid-19 que fica na UTI

Infelizmente, muitas pessoas têm que ser colocadas em coma induzido, para ser possível controlar melhor os efeitos da doença. Para tanto, acabam tendo que lidar com remédios fortíssimos, que causam alucinações e confusão mental. Isso sem que elas possam verbalizar absolutamente nada.

O médico britânico Zudin Puthucheary  alerta para os danos físicos-emocionais causados pelo tratamento do novo coronavírus. Diversos pacientes afirmam que prefeririam ter morrido do que ter percorrido o inferno do coma e tudo mais que aconteceu com eles durante o processo de internação numa UTI para pacientes de Covid-19. Para lidar com esse tipo de pensamento, é necessário a ajuda de um profissional que possa avaliar qual é o tipo de transtorno pós-traumático envolvido.

É essencial que esse tipo de tratamento seja seguido por um acompanhamento integral e adequado, incluindo um psicólogo ou psiquiatra. Assim, é possível também tratar das sequelas emocionais causadas pelo processo de coma e isolamento, como a depressão, por exemplo.

Dentro da UTI

Fala-se de ventilação, mas não é uma máscara de oxigênio colocada na boca e no nariz, é uma ventilação invasiva, uma intubação que é feita sob anestesia geral e que consiste em permanecer por pelo menos 2 a 3 semanas sem se mover, geralmente de bruços (posição prona) com um tubo na boca até a traqueia, o que permite respirar no ritmo da máquina à qual está conectada.

Você não pode falar, comer ou fazer qualquer coisa naturalmente porque o desconforto e a dor que você sente exigem a administração de sedativos e analgésicos para garantir a tolerância ao tubo.

Durante o tempo em que o paciente precisar que a máquina respire, ele estará em coma induzido, ou seja, em coma artificial. Em 20 dias com este tratamento, um paciente jovem terá uma perda de massa muscular de 40% e a reeducação subsequente será de 6 a 12 meses, associada a trauma grave na boca ou nas cordas vocais. É por esse motivo que os idosos ou pessoas frágeis em sua saúde não perduram.

Observação: A pandemia do novo coronavírus ainda não acabou. Só acabará quando vacinas testadas forem aprovadas e as pessoas vacinadas. Antes disso só podemos evitar a disseminação, mantendo o distanciando social, usando máscaras e lavando as mãos corretamente com água e sabão.

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As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

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