As condições neurodesenvolvimentais, como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), podem persistir na vida adulta e impactar significativamente áreas importantes como a carreira e o desempenho profissional. Muitas vezes associadas à infância, esses transtornos frequentemente permanecem sem diagnóstico até a idade adulta, quando os indivíduos enfrentam desafios na organização, no foco e nas interações sociais afetivas e no trabalho. Este artigo explora como essas condições se manifestam, são diagnosticadas e tratadas em adultos e como suas particularidades podem influenciar as vivências afetivas e profissionais.
O TDAH é caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade, afetando o controle do foco e a capacidade de organização. Os sintomas variam, mas em adultos, os principais desafios envolvem a procrastinação, a falta de planejamento e dificuldades em concluir tarefas. Embora seja comumente diagnosticado na infância, muitos adultos convivem com o transtorno sem uma intervenção adequada.
O Autismo, por sua vez, é um espectro que abrange diferentes graus de dificuldades nas áreas de comunicação, comportamento e interações sociais. Adultos com autismo podem enfrentar desafios sensoriais, apresentar interesses restritos e ter dificuldades em compreender normas sociais no ambiente profissional, mesmo sendo altamente competentes em habilidades específicas.
Ambas as condições podem coexistir, o que torna o diagnóstico mais complexo. O acompanhamento de um profissional é essencial para obter uma avaliação precisa e direcionar o tratamento adequado. Faremos aqui uma análise separada das características em ambas condições.
Os sintomas de TDAH em adultos podem ser diferentes dos observados em crianças. Geralmente, incluem:
Autismo em adultos (TEA):
Em adultos, o autismo pode se manifestar de formas mais sutis do que na infância, especialmente em pessoas que nunca foram diagnosticadas. Alguns sinais incluem:
A avaliação envolve entrevistas clínicas, testes neuropsicológicos, relatos do histórico de vida e, em muitos casos, informações de familiares ou pessoas próximas para entender o desenvolvimento e comportamento ao longo da vida.
O diagnóstico dessas condições em adultos requer uma abordagem multidisciplinar e cuidadosa, especialmente porque muitos podem ter desenvolvido estratégias para lidar com os sintomas ou confundi-los com características de sua personalidade. O diagnóstico deverá ser feito por um especialistas na área:
A avaliação de TDAH em adultos deverá investigar, sem pressa, a história de vida e os sintomas que afetam o dia a dia do pessoa. São aplicados questionários específicos, como a Escala Adult Self-Report Scale (ASRS), além da análise de fatores que possam contribuir para a desatenção e impulsividade, como a ansiedade ou depressão. O histórico de dificuldades com organização, procrastinação e hiperatividade interna são fundamentais para o diagnóstico.
O diagnóstico de autismo em adultos envolve a análise de padrões comportamentais, especialmente relacionados às interações sociais e à sensibilidade sensorial. A entrevista clínica é aprofundada, observando como a pessoa lida com mudanças, rotinas e seus interesses específicos. Instrumentos como o *Autism-Spectrum Quotient (AQ)* ajudam a identificar traços autistas, e a participação de familiares pode fornecer insights adicionais.
Quando TDAH e autismo coexistem, o tratamento precisa ser integrado, abordando tanto os sintomas de desatenção e impulsividade quanto as dificuldades sociais e sensoriais. As opções de tratamento são combinadas e adaptadas para garantir uma melhoria na qualidade de vida e no desempenho profissional.
Pessoas com TDAH e autismo muitas vezes enfrentam desafios específicos no ambiente de trabalho, que podem prejudicar seu crescimento profissional, mesmo que as relações pessoais sejam menos impactadas. Entre as dificuldades mais comuns estão:
Ao receber tratamento adequado, os indivíduos podem desenvolver estratégias que lhes permitam não apenas melhorar o desempenho profissional, mas também explorar seus pontos fortes, como criatividade, pensamento analítico ou atenção a detalhes, características comuns em ambos os transtornos.
Buscar o diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA) na vida adulta pode ser fundamental para a qualidade de vida por várias razões:
Assim, o diagnóstico na vida adulta oferece a oportunidade de buscar tratamentos e estratégias para lidar com os sintomas, melhorar a qualidade de vida e permitir que a pessoa se compreenda de forma mais profunda.
É importante que tanto as pessoas com TDAH e TEA quanto seus amigos e parceiros compreendam as particularidades de cada transtorno. Com apoio, compreensão e estratégias adequadas, é possível desenvolver relações sociais e afetivas saudáveis e satisfatórias. O acesso a terapias e grupos de apoio também pode ser extremamente benéfico para facilitar a comunicação e a compreensão mútua. Vejamos aqui como o TDAH e o Autismo podem impactar significativamente as relações sociais e afetivas na vida adulta e como lidar com isso:
Ambos os Transtornos: Indivíduos com TDAH ou TEA podem enfrentar preconceitos e estigmas sociais, o que pode afetar sua autoestima e a forma como se relacionam com os outros. A falta de compreensão por parte da sociedade pode levar ao isolamento.
TDAH e TEA: Muitos adultos desenvolvem estratégias para lidar com suas dificuldades, como o uso de tecnologia para organização ou o envolvimento em grupos de apoio. Isso pode ajudar a melhorar suas habilidades sociais e fortalecer suas relações.
O reconhecimento dessas condições e a implementação de intervenções apropriadas são essenciais para que indivíduos com TDAH e autismo possam alcançar seu potencial máximo, especialmente no ambiente profissional, onde muitas vezes encontram seus maiores desafios.
O tratamento combinado de TDAH e autismo exige uma abordagem personalizada e multidisciplinar, envolvendo medicação, terapia e estratégias comportamentais adaptadas ao cotidiano da pessoa e especialmente a busca por saberes na área, pois é indispensável a compreensão e a aceitação da condição, a fim ressignificar a própria existência a partir do autoconhecimento e do autorespeito e amor próprio. Diante disso faço aqui algumas sugestões de leituras
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