Estudo revela 10 características de um possível agressor de mulheres

Considerando mais de um distúrbio psicológico, os homens agressores possuem características comuns que os tornam violentos. A violência contra a mulher nas relações do casal é um problema que, apesar de amplamente estudado e divulgado, continua sendo notícia recorrente em muitos países.

As alarmantes estatísticas – cujas histórias são piores do que o relatado nos filmes – aumenta o interesse dos psicólogos em estudar o modo de agir dos agressores.

Pesquisadores desta área reúnem as características clínicas dos homens que cometem violência contra a mulher. Tais estudos permitem construir o “perfil dos agressores” com sinais de instabilidade emocional.

Doenças psicológicas significativas. Os principais sintomas de um quadro de doença psicológica é a alteração do seu nível psicológico. Segundo o psicólogo Roberto Magalhães “perturbações, alterações na memória, lentidão de pensamento, pensamentos conturbados e desconexos, crises de fúria, crises de tristeza, raiva, choro, enfim, muitos são os sinais que podem apontar para um quadro de doença psicológica”.

Esta matéria apresenta três aspectos, o primeiro serve para identificar um agressor. O segundo é que o agressor possa se identificar. E o terceiro é que com mais informações se torna mais fácil uma solução para viver em harmonia. Mas é preciso ressaltar que nem todo homem que possui estas 10 características é um agressor de mulheres, contudo, todo agressor de mulheres possui estas características. 

Os agressores podem apresentar distintas deficiências psicológicas, tais como:

1 – Carência afetiva

Nas palavras do psicoterapeuta Paulo Silvio Antolini “A carência não é gerada pela falta de “qualquer coisa”, mas pela falta de sentimentos essenciais, necessidades não atendidas no momento e da forma adequada, deixando lacunas que, não identificadas, desencadeiam reações e comportamentos que muitas vezes nem a própria pessoa entende. Mas grande parte das pessoas sequer admite que possa estar ocorrendo influências desse tipo em seu comportamento”.

2 – Variações cognitivas

Pensamentos equivocados sobre as diferenças sexuais: a aparente inferioridade da mulher é uma justificativa para violência.

3 – Dificuldade de comunicação

A maioria das pessoas tem dificuldade em se comunicar com os outros. Muitos vencem a barreira da timidez e fala de seus sentimentos a pessoas mais próximas. O estressado fala o que vem à cabeça e magoa com a insensatez da eloquência. O terceiro tipo de pessoas com esse problema é aquele homem que odeia ser o centro das atenções, mas se sente o centro das atenções o tempo todo. Seja o tímido, o ‘boca suja’ ou o dissimulado, todos estão no rol dos que apresentam certo grau de dificuldade para interagir.  A solução é ouvir e depois falar com calma e moderação. Para o jornalista Luiz Paulo Horta “A diferença entre o herói audaz e o insensato é tênue, é uma espécie de faro que tem a ver com o destino de cada um”.

4 – Dificuldade na solução de problemas

A habilidade em resolver problemas nasce com a gente. Mas três regrinhas podem ajudar: Primeira, mergulhe no problema para conhecê-lo por inteiro. Segunda, determine o que precisa ser feito. Terceira, execute. Além destas vocês pode, por exemplo, conversar com outras pessoas, escrever possíveis soluções ou separar um tempo para relaxar e refletir. Muitas vezes a solução se apresenta quando menos se espera.

5 – Baixo nível de autoestima

As pessoas com sintomas de baixa autoestima se sentem inadequadas para enfrentar os desafios do dia a dia. Não acreditam no seu potencial na própria capacidade de oferecer respostas às questões da vida. Por isso têm uma estrutura emocional pouco sólida. Daí o pessimismo e a negatividade para alcançar suas realizações pessoais, profissionais e emocionais.

A solução: Entender os padrões de pensamentos, de sentimentos e atitudes da pessoa é um processo chave para o entendimento das crenças negativas, bloqueios e medos.

6 – Baixa tolerância diante da frustração

Difícil para qualquer pessoa lidar com a frustração diante das expectativas que a vida oferece. Na área do comportamento emocional a intolerância quanto à rejeição é um dos fatores apontados pelos psicólogos como determinantes da agressão. Somente as pessoas com sólido equilíbrio emocional consegue lidar com este sentimento. Como podemos notar uma pessoa assim? A psicóloga portuguesa Catarina Vargues Conceição mostra o caminho: “A baixa tolerância à frustração pode ser percebida através de manifestações de irritabilidade fácil, comportamentos e comunicação não assertiva, desmotivação e desistência de tarefas ou objetivos”.

7 – Dificuldades específicas como, por exemplo, ciúmes patológicos

O ciúme patológico injustificado é uma das principais causas da agressão do homem à mulher. A psicóloga Cristiana Pereira, da Oficina de Psicologia, ensina como identificar o ciumento patológico: “A pessoa não suporta que outros rodeiem o seu companheiro, especialmente do sexo oposto. Examina com frequência os objetos pessoais do companheiro. Apresenta uma personalidade dominante, querendo, por isso controlar tudo à sua volta”.  

8 – Demonstração de machismo

Existem alguns comportamentos machistas em nosso cotidiano que nem nos damos conta.

A jornalista Maíra Liguori priorizou outras atitudes relacionadas ao machismo:

“Quando uma mulher não consegue concluir sua frase porque é constantemente interrompida pelos homens ao redor”.

“Quando um homem dedica seu tempo para explicar algo óbvio a você, como se não fosse capaz de compreender, afinal você é mulher”.

“Violência emocional por meio de manipulação psicológica que leva a mulher e os outros a acharem que é incapaz”.

São atitudes do comportamento machista que se revela no estupro, na violência doméstica, na restrição econômica, na submissão e na subserviência.

9 – Álcool e outras drogas. Neste caso o vício atua como agente desinibidor

Dráuzio Varella publicou na revista Science um artigo em que discute sobre a bioquímica e os fatores sociais envolvidos na violência. Nesta pesquisa traça o papel do álcool na violência através da experiência desenvolvida com ratos.

Nesta pesquisa também está claro que o álcool e as outras drogas mudam o comportamento natural também nas pessoas drogadas.

10 – Transtorno de personalidade. Entre os mais frequentes estão a atitude antissocial e o narcisismo

Três pontos pra identificar um antissocial: Quando ouve vozes de outros empaca para não participar da roda de conversas. Inventa que está ocupado nos fins de semana para não ter de sair de casa. Ignora as mensagens recebidas pelas redes sociais.

E o narcisista tem um padrão de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia que, geralmente, começa no início da idade adulta. E se manifesta em várias situações, inclusive na agressão à mulheres.

Embora estes 10 registros estejam colocados como pontos de reflexão, não significa, necessariamente, que um ou vários destes pontos sejam características infalíveis para identificar um agressor de mulheres. São, como está na chamada, apenas informações que ‘podem’ identificá-lo. O texto publicado é informativo, não substitui a terapia ou a psicoterapia oferecida por um psicólogo.

Diante de todas estas marcas, os estudos nesta área sinalizam que o tratamento psicológico é o mais adequado para alcançar melhorias significativas a este tipo de agressor. Entretanto, a melhora somente se dará com o círculo completo do tratamento.

Ainda assim, cabe considerar que o agressor tende a negar ou minimizar a agressão. E este é um problema que freia ou diminui a eficácia do tratamento. Neste caso é comum o agressor abandonar a terapia. Diante destes fatos o mais recomendável é desenvolver no agressor a motivação capaz de fazê-lo alterar o nível da sua carência afetiva de maneira que aceite o tratamento e o cumpra de forma integral.

Texto da Especialista em Sexologia, Psicologia Clínica de adultos e Psicoterapia, Camila Rodríguez Fernández (Tradução livre)

 

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