Por Soraya Aragão, psicoterapeuta, expert em Medicina Psicossomática

A resiliência humana é um tema bastante discutido, embora infelizmente seja uma competência pouco desenvolvida, visto que muitas vezes não foram criadas habilidades socioemocionais para administrar, ressignificar e lidar com situações inesperadas, tais como um trauma, uma traição, a perda de uma condição ou mesmo com o próprio estresse cotidiano e continuo, mas que pode exaurir recursos de enfrentamento diante de adversidades.

Neste contexto, os mecanismos psicoadaptativos “entram em pane”, onde a pessoa se paralisa diante de situações catastróficas. Sendo assim, elaborei alguns questionamentos para que você compreenda o seu nível de resiliência no intuito de desenvolve-la e/ou fortalece-la.

Responda a estas perguntas com sinceridade:

  • Você se deixa vencer diante das adversidades da vida, acreditando que os desafios são maiores que suas próprias forças e recursos internos?
  • Você acredita que as dificuldades que a vida oferece naquele momento são impossíveis de serem superadas?
  • Diante da crise deflagrada, você se mantém calmo ou se entrega ao desespero, não antevendo nada de positivo, entrando em estados ansiosos e/ou depressivos?

Em sua sabedoria, a natureza nos transmite constantemente mensagens de que no mundo em que vivemos, teremos dificuldades, mas que com garra e coragem sempre venceremos os desafios que o mundo nos oferece, basta deixar brotar a fé e florescer a esperança em nossos corações, pois sempre haverá um novo amanhecer.

4 maneiras funcionais de sair de uma crise existencial tempestiva

Mesmo que as nuvens negras anunciem as piores tempestades, estas passarão, nos trazendo novas chances. No entanto, compreender e decodificar estas mensagens na percepção da superação é muito difícil para quem se encontra envolvido nas sombras das perdas, do desalento, do sofrimento e da falta de esperança materializados em perdas significativas e mudanças existenciais bruscas que requerem readaptação e onde não se vislumbra nenhuma solução para as incógnitas da vida nas penumbras do desalento.

São exatamente nos momentos angustia que não podemos esquecer que se a fé e a esperança, forem utilizadas com inteligência,  toda insatisfação, toda frustração, toda desesperança ou desilusão, serão oportunidades de avanço, de mudança, de autodesenvolvimento.

Sendo assim, diante do “estado de espirito” de desesperança, o que fazer para acionar nossa força interior? Como desenvolver e fortalecer a nossa resiliência diante de nossas tempestades internas?

Apresento abaixo 4 sugestões, para sair de uma crise existencial, que obtiveram resultados na clinica psicológica e na vida prática. Entenda:

1- Aprenda a colocar seu coração em paz: cultive a serenidade

Para algumas situações, temos controle, mas para outras, não. No tocante às circunstâncias que não podemos modificar, quando não há nada que possa ser feito, a única alternativa é colocar nosso coração em paz; já para aquelas que podemos agir, que tenhamos espírito proativo e de luta. Não temos controle das ações dos outros, mas das nossas atitudes sim.

Não temos controle de algumas circunstâncias da vida, mas de como percebemos, avaliamos e ressignificamos cada acontecimento, podemos administrar sim. Para o que está fora do nosso controle- ao menos naquele momento específico- coloquemos nosso coração em paz. Para que se preocupar com o que foge do nosso gerenciamento? Difícil colocar em prática, mas imprescindível o manejo inteligente destas situações, de outro modo, entraremos em estado de estresse contínuo, o que não favorecerá em nada nossa saúde e paz de espírito.

2- Aquilo que nos acontece, nos diz respeito:

As experiências que nos acontecem sempre nos dizem respeito, sinalizando o que precisamos desenvolver, aprimorar, observar ou cuidar.

As intempéries da vida são como mensageiros que nos trazem uma notícia importante sobre nós e para nós, nunca acontecendo por engano ou por acaso e sempre na medida certa. Será que estamos indo pelo caminho justo?

Como estão sendo feitas nossas escolhas de vida? Algo em nossa vida ou em nós mesmos precisam de uma observação mais cuidadosa, mas que por um motivo ou outro, estamos negligenciando? Lembremo-nos que tudo acontece em prol de um propósito maior e mesmo a necessidade de sair de nossa zona de conforto pode vir – geralmente vem- em forma de dificuldade.

3- Tenha e mantenha vínculos interpessoais saudáveis:

A rede de apoio social não é somente um fator de proteção eficaz contra crises, mas também um “amortecedor” para crises já deflagradas.

O fortalecimento de vínculos saudáveis, onde somos valorizados em nossos melhores aspectos e auxiliados naquilo que ainda precisamos desenvolver são alimento e lenitivo para nossa autoestima, onde nos sentimos acolhidos e aceitos naquilo que somos integralmente o que nos promove substancial fortalecimento.

4- Entenda que toda crise é cíclica:

Toda crise é cíclica. O que quero dizer é que todo colapso, toda adversidade é transitória e que vez ou outra nos revisitará. A roda do samsara gira constantemente e para todos, sem distinção. Em alguns momentos estaremos embaixo, outras em cima, em fases cíclicas e alternadas, de altos e baixos, como as fases da lua, como as estações do ano, como as marés, numa constante impermanência, num constante fluir.

A história de cada pessoa, em maior ou menor grau, foi construída em uma constante teia de crise e superação, de cair e se reerguer. Enquanto as circunstâncias difíceis não mudam, resta-nos mudar a forma como as percebemos e lidamos com elas. Esta conduta fará toda a diferença diante de uma crise.

Texto da psicoterapeuta, expert em Medicina Psicossomática, Soraya Aragão. Saiba mais sobre o seu trabalho aqui.

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Soraya Rodrigues de Aragão é psicóloga, psicotraumatologista, escritora e palestrante. Realizou seus estudos acadêmicos na Unifor e Università di Roma. Equivalência do curso de Psicologia na Itália resultando em Mestrado. Especializou-se em Psicotraumatologia pela A.R.P. de Milão. Especializanda em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde - Universidad San Jorge (Madri) e Sociedad Española de Medicina Psicosomática y Psicoterapia.   Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e membro da Sociedade Italiana de Neuropsicologia. Autora do livro Fechamento de Ciclo e Renascimento: este é o momento de renovar a sua vida. Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2016; e do Livro Digital: "Transtorno do Pânico: Sintomatologia, Diagnóstico, Tratamento, Prevenção e Psicoeducação. É autora do projeto "Consultoria Estratégica em Avaliação Emocional'.