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6 poemas sem a letra A

Desafiamos nossos incansáveis leitores a escreverem um poema sem a letra A. Muitos reclamaram da dificuldade; outros, mais fanáticos, nem conseguiram enviar o e-mail, porque resolveram excluir completamente o A de suas vidas. Mas alguns responderam e o resultado está aí, sem a incontornável vogal. Para a próxima edição, propomos como Desafio um poema reciclado ou baseado em outro poema famoso. Esperamos que nossos louváveis leitores não se incomodem com essa pedra no meio do caminho.

Signo – Henrique Fagundes Carvalho

No oco
dos versos,
entre verbos
e nomes
se esconde,
esquivo
o signo interdito.
Do silêncio imposto
despiu-se,
e insinuou-se,
e gritou-se,
nos interstícios.
Fez-se.
Interdisse-se:
o signo,
o primeiro,
o proibido.

Sexo Utópico – Barbara Hansen

desejo litúrgico
nos beijos tímidos
em seus olhos límpidos
nos sorrisos íntimos.
o silêncio tórrido
nos verbos implícitos,
meus dedos líricos
no músculo túrgido:
encontro cósmico,
gozo místico.

Irreconhecível – Solange Firmino

Perco-me de mim
fusco-me
desvio-me do reflexo ergo um muro
entre mim e o espelho

persiste o brilho
imóvel
de um rosto
silencioso
vestígios de sonhos
inocentes
se escondem nos olhos
do outro eu
que me vê

Em versos curtos – Priscila Mendes

Em versos curtos
Eu digo o que sinto…
Tenho sentimento de vidro
Um muro de Berlim dentro de mim…
Noite de frio
Tempo de outono, inverno…
Brilho do fogo
No silêncio sublime…
Medo do escuro
Vento frio…
Onde sonhei, chorei
Me decepcionei…
Escuto vozes e gritos
Segredo oculto
Mistérios ocultos
Medos ocultos
Desejos ocultos
No fim o silêncio de tudo!

Sem poder dizer – Carlos Junio

Começo de sem
Sem dizer, um roubo
Roubo sem morte
Morte sem óbito
Óbito sem enterro
Enterro sem defunto
Defunto sem corpo
Corpo de quem?
Corpo de gente
Gente que mente
Mente, ou cérebro
Cérebro sem corpo
Corpo sem membro
Membro sem sexo
Sexo sem gemido
Gemido sem mulher
Mulher sem medo
Medo sem motivo
Motivo de quê?
Motivo de viver
Viver e só morrer…

Usênci – Pedro Rabello

Foi sem se despedir,
sem bilhete triste
ou último beijo.

Portal Raízes

As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

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