O professor Leandro Karnal em  entrevista ao Poucas, falou sobre as negações de grupos de pessoas que são contra vacinar crianças.

Para o professor, é grave colocar a vida de crianças em risco, pois negar a vacina é muito perigoso, especialmente porque os argumentos não são pesquisas ou estudos que provam que as vacinas são desnecessárias, mas essas pessoas argumentam suas defesas no pensamento empírico de que seus avós diziam que na época deles não se vacinava e eram tempos melhores. Essas pessoas certamente ignoram o fato de que a estimativa de vida era de 40 anos.

Karnal ressalta ainda que quem não vacina os filhos deveria perder o direito de tê-los. E deveria ser esterilizado e viver feliz em sua Tomorrowland ou no seu país de Oz. Enfatiza que isso é impor a morte à uma criança por uma opinião sem nenhum fundamento científico e que tem gente morrendo por causa disso.

O que o movimento antivacina defende?

Você consegue imaginar um mundo sem vacinas? Pois essa realidade não é tão antiga assim. Vamos voltar no tempo, lá para o início do século 20. Naquela época, uma em cada cinco crianças morria de alguma doença infecciosa antes de completar 5 anos de idade.

Hoje parece que a gente não faz ideia de quão cruéis eram essas moléstias. E mal podemos imaginar a dor de perder nossos filhos para enfermidades que atualmente são passíveis de prevenção por meio de imunizantes. Quem é que morre de caxumba hoje em dia? Graças às vacinas, doenças terríveis e altamente contagiosas foram quase erradicadas. Algumas, como a varíola, de fato sumiram do mapa.

Segundo a OMS, a vacinação evita de 2 a 3 milhões de mortes por ano, e outro 1,5 milhão poderia ser evitado 

Recentemente o movimento antivacinação foi incluído pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em seu relatório sobre os dez maiores riscos à saúde global. De acordo com a Organização, os movimentos antivacina são tão perigosos quanto os vírus que aparecem nesta lista porque ameaçam reverter o progresso alcançado no combate a doenças evitáveis por vacinação, como o sarampo e a poliomielite. Ainda segundo a OMS, as razões pelas quais as pessoas escolhem não se vacinar são complexas, e incluem falta de confiança, complacência e dificuldades no acesso a elas. Há também os que alegam motivos religiosos para não se vacinar ou a seus filhos. “A vacinação é uma das formas mais eficientes, em termos de custo, para evitar doenças. Ela atualmente evita de 2 a 3 milhões de mortes por ano, e outro 1,5 milhão poderia ser evitado se a cobertura vacinal fosse melhorada no mundo”, afirma a OMS.

Entretanto, os movimentos antivacina vêm crescendo no mundo todo, inclusive no Brasil, que sempre foi exemplo internacional. Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI/MS), nos últimos dois anos a meta de ter 95% da população-alvo vacinada não foi alcançada. Vacinas importantes como a Tetra Viral, que previne o sarampo, caxumba, rubéola e varicela, teve o menor índice de cobertura: 70,69% em 2017. De acordo com especialistas em saúde pública, se a vacinação da população brasileira fosse adequada, um novo surto de sarampo não se estabeleceria no País. Segundo o Ministério da Saúde, anualmente são aplicados cerca de 300 milhões de doses de 25 diferentes tipos de vacinas, em 36 mil postos de saúde espalhados por todo o Brasil. Ou seja, não faltam vacinas gratuitas e nem acesso a elas.

Ministério da Saúde oferece 19 tipos de vacinas gratuitamente

Manter a imunização em dia é uma das formas mais eficazes de prevenir diversas doenças infecciosas e bacterianas. Para isso, no Sistema Único de Saúde (SUS), são distribuídos 19 tipos de vacinas, que devem ser tomadas desde o nascimento até os 65 anos ou mais.
O controle tanto do período das campanhas para cada vacina quanto da faixa etária em que cada pessoa deve ser imunizada e o número de doses necessárias é feito por meio do Calendário Nacional de Vacinação, válido para todas as unidades da Federação. Apenas os povos indígenas seguem
datas diferentes.
Cartão de vacinação
Importante lembrar que, para tomar qualquer uma das doses, é preciso levar ao Posto de  saúde o cartão de vacinação. O ideal, de acordo com Carla Domingues, do Ministério da Saúde, é ir sempre ao mesmo posto, onde ficam registrados os históricos. Em caso de perda do cartão, será necessário tomar todas as vacinas novamente para completá-lo. “Não há problema nisso, mas você estará usando um recurso público que poderia ser usado por outra pessoa. Para o organismo, no entanto, não há problema se acontecer mais de uma vez”.

Fontes pesquisadas: Sociedade Brasileira de Medicina Tropical; Drauzio Varella; Saúde Abril; Ministério da Saúde.






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