Na última segunda-feira, 16, teve início na Rede Globo de Televisão, a vigésima terceira edição do Big Brother Brasil (BBB). Todos os anos surge o clássico discurso de assistir ou não ao programa. Há quem acompanhe pelo entretenimento gerado por pessoas desconhecidas umas para as outras e para audiência por 3 meses. E há quem considere a grande criação de Boninho uma perda de tempo.

Mas, seja você um comentarista da vida de quem está confinado ou alguém alheio aos acontecimentos da casa mais vigiada do Brasil, com certeza já deve ter visto memes e relatos sobre isso na internet. E hoje não foi diferente, após um alerta dado em rede nacional pelo apresentador da atração, Tadeu Schmidt, debates sobre relações abusivas e os primeiros sinais desse tipo de situação ganharam as redes.

Alerta de gatilho, já nesta primeira semana de jogo, Bruna Griphao e Gabriel Tavares, passaram se envolverem amorosamente. No entanto, falas e atitudes por parte de Gabriel, começaram preocupar o público por se tratar de comportamentos abusivos. No recado de Tadeu, o jornalista destacou um diálogo do brother e da sister em que ela diz ser o homem da relação e ele comenta que Bruna levaria uma cotovelada na boca.

São muitos os trechos de vídeos de cenas problemáticas protagonizadas pelo casal compartilhados na Time-line e por meio dessa situação desagradável, vale lembrar alguns pontos: agressão não é só física. Se seu par romântico faz jogos psicológicos, distorce suas falas ou lhe causa sentimento de culpa, como disse Tadeu, algo não está certo. Violência, ameaças e insinuações, mesmo que feitas em suposto tom de brincadeira, nem de longe é de fato uma.

Após a direta de Schmidt, Bruna e Gabriel conversaram. O modelo pediu desculpa e colocou sobre si a responsabilidade pelo acontecido. Uma característica recorrente em quem tem um comportamento tóxico e tenta se desvencilhar. Bruna, confusa, afirmou que também tem uma parcela de culpa no que ocorreu. Ela decidiu romper com ele por não acreditar que o lance entre os 2 esteja sendo legal.

No caso específico do BBB, muitos fatores interferem numa relação. A opinião de quem está do lado de fora, as estratégias para se manter na casa, a superexposição. Mas, na vida real digamos, é necessário sempre estar em alerta, buscar ajuda e denunciar as violências sofridas, sejam psicológicas, físicas, verbais, morais, sociais e/ou sexuais. Ao menor sinal de que limites estão sendo ultrapassados ou podem vir a ser, peça ajuda.

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 presta uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência. O serviço registra e encaminha denúncias aos órgão competentes. O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Outros casos de relacionamento abusivo no BBB

Relacionamento abusivo entre Bruna Griphao e Gabriel Tavares no BBB não é o primeiro dentro do programa. O Jornal da Paraíba relembrou outros 2 casos. Confira:

Emily Araújo e Marcos Harter (BBB 17)

Marcos Harter e Emilly Araújo no BBB17 (Reprodução)

Talvez o caso que mais tenha chamado atenção durante todas as edições do programa tenha sido o romance entre a estudante Emily Araújo e o médico Marcos Harter, que terminou com ele indiciado por lesão corporal com base na Lei Maria da Penha.

Desde o começo, o público já podia perceber no relacionamento uma certa imposição de poder do médico em relação à estudante. Com 17 anos de diferença, o homem tinha 36 anos quando entrou no reality e conheceu a jovem Emily, com apenas 19 anos. Marcos Harter tinha o hábito de interromper e corrigir a estudante, além de sempre colocar os braços ao redor dela e abraçá-la de forma muito agressiva, como uma forma de cerceá-la. Beliscões e gritos também aconteciam.

Tudo isso culminou com uma agressão muito explícita, que teve como consequência a expulsão de Marcos do programa. Na ocasião, os dois tiveram uma discussão após uma festa na casa e câmeras registraram o momento em que Marcos grita com Emilly e a coloca contra a parede, com o dedo na boca dela.

“Presta atenção! Presta atenção! Você só está comigo, presta atenção, só mais um pouquinho. Você só está comigo porque eu quero que você ganhe, é isso?”, gritou Marcos.

Depois de gritar com a jovem, ela diz: “Olha aqui, tu me beliscou de novo, Marcos. Tu apertou meu pulso, tá doendo”.

Tudo começou quando o então brother revelou durante o confinamento que costumava se envolver com adolescentes e mulheres mais jovens. “Só aparecem novinhas mesmo, tipo 17, 18, 20”, disse ele dentro da casa.

A fala chamou atenção da jornalista Ana Paula Renault, que o chamou de pedófilo várias vezes e se tornou sua “inimiga” no jogo. Em uma das desavenças com a jornalista, ela se incomodou com olhares provocativos de Laércio lançados para ela e sua colega de casa, Munik, de apenas 19 anos.

“Se parar o Laércio na minha frente, eu dou na cara dele. Ele é nojento de todos os jeitos. Homem asqueroso. Pedófilo nojento”, disse ela no jogo. Inclusive, no paredão que Laércio foi eliminado, ele disputava a vaga com Ana Paula.

Por conta das falas de Láercio, uma investigação solicitada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) foi feita e averiguou que uma das vítimas era uma adolescente que se relacionou com o tatuador quando ela tinha 13 anos. Com 17 na época da denúncia, ela confirmou o envolvimento com Laércio, o oferecimento de bebida alcoólica por ele e mostrou prints de conversas explícitas.

Vanderson Brito (BBB 19)

Vanderson Brito foi expulso do BBB 19 (Divulgação)

O biólogo acreano Vanderson Brito foi expulso do BBB19 a pedido da delegada Rita Salim, titular da Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá), no Rio de Janeiro. O ex-participante deixou o confinamento do reality show da Globo após a denúncia de 3 de suas ex namoradas por estupro. Por causa das denúncias de abuso sexual, Vanderson recebeu apenas 3,83% dos votos da preferência do público no superparedão, sendo o segundo menos querido pela audiência.

Por Juliana Santelli, jornalista, jovem negra, PCD. Colunista do Portal Raízes, ouvinte de podcast nas horas vagas, leitora do que chama a sua atenção. Autora do livro: “Entre Vistas” sobre a maternidade solo na sociedade brasileira pós-moderna (prelo).

RECOMENDAMOS






Juliana Santelli é jornalista, jovem, negra, PCD. Colunista do Portal Raízes, ouvinte de podcast nas horas vagas, leitora do que chama a sua atenção. Autora do livro: "Entre Vistas" sobre a maternidade solo na sociedade brasileira pós-moderna (prelo).