“Uma das coisas que mais me entristece hoje é ver uma casa infeliz, e uma casa infeliz é aquela que se entra está tudo arrumado. É uma casa sem uso. Você vai à sala e as almofadas estão no lugar, como se a revista caras fosse entrar para fotografar, uma casa que não tem nada fora do lugar é uma casa morta.

Onde há vida, há perturbação da ordem. Aliás, a paz não é a paz dos cemitérios, e a vida não é a do congelamento da criogenia. Vida, é vibração, vibração é movimento molecular e nessa hora, a casa em ordem, é uma casa triste, é a casa que não se vive mais nela.

Quando eu era criança […] a minha festa de aniversário durava quinze dias. A minha e a de qualquer pessoa, porque era uma semana para preparar a festa. Era a família fazendo docinho, enrolando brigadeiro, fazendo coisas, fazendo sanduíches, colocado em lata, durava uma semana. E aí tinha festa no sábado, e aí durava mais uma semana para limpar, arrumar, guardar.

Uma festa de aniversário minha durava quinze dias, eu era feliz por quinze dias, porque era lembrado, comemorado, era festejado, hoje a festa de uma criança dura duas, três horas, que é o tempo em que se vai a um lugar estranhíssimo, chamado buffet infantil, que não é de ninguém, é um motel pedagógico, uma festa às dez, outras às catorze, outra às dezoito.

Não é a casa de ninguém, e eu vou embora, e dura duas, três horas, e lá se faz uma coisa incrível, para deixar as crianças felizes, olha que demência, se coloca um animador de criança, desde quando criança, precisa de animador? Se ela precisa, é porque ela está infeliz”.

Excertos extraídos das falas do professor Mario Sergio Cortella no Sempre Um Papo, com o “Frei Betto e Leonardo Boff. Assista na íntegra:

RECOMENDAMOS






As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.