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Para quando você se sentir um lixo: um breve conselho da monja Coen

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Às vezes a coisa aperta, quando parece que ninguém nos compreende nem pode ajudar, nada dá certo, que a vida está contra a gente…

Apenas se sente.

Quando vier aquela vontade de não fazer nada, de se achar um lixo e a vida sem sentido…

Apenas se sente.

Quando chegar aquele aperto nervoso de querer brigar, reclamar de tudo e até chorar…

Apenas se sente.

Para sentir a si mesmo é bom se sentar. Escolha um cantinho sossegado, nem quente nem frio, nem claro nem escuro.

E apenas se sente.

Perceba os cheiros, odores, sem afastar, sem querer, sem rejeitar. Perceba todos os sons, de pássaros e de gafanhotos, de pessoas e de cachorros, de aviões e de descargas, todos os sons como são e até mesmo os do seu coração.

Perceba as ondas mentais, os sobe e desce de pensamentos e tristezas, de não-pensamentos, de lembranças e de nada. Perceba as alegrias, a solidão, o temor, as fragilidades da vida, as esperanças, as utopias. Perceba tudo passando, como num rio navegando, folhinhas, pétalas de flor. Tudo passando e se transformando. Toda a vida fluindo, sem que nada jamais possa voltar.

Cada pequena decisão influencia. Cada pequena decisão faz diferença. Por isso é preciso parar e perceber, que é mais do que pensar, mais do que ver. É um saber do profundo de nós. Silêncio de fora e silêncio de dentro. A solução, que parecia impossível, vai despontando como o sol ao amanhecer, como a estrela ao anoitecer. A gente até ri daquilo que incomodou: da raiva, da briga, da discussão, até mesmo do horror.

Caminha na trilha do bem, sem jamais ferir alguém. Compreenda e respeite, aceite as diferenças e nunca perca a capacidade de se doar inteiro, sem nada a resguardar. Mas com pudor tão profundo que ninguém possa falar mal de você neste mundo.

Aprenda a ver cada um como é e a mudar você no que der e quando puder. Sentir, sentar e pressentir a verdade em seu ser. Perceba que todos cabem juntinhos numa gota pequenininha que circula tão marota em toda sua vida.

Trecho extraídos do livro Viva Zen, páginas 12 e 13, originalmente publicados no jornal Agora São Paulo, entre 14 de julho 2002 e 22 de agosto de 2004. Editora Publifolha, 2004.

TEXTO DEMonja Coen
FONTELivro Viva Zen
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