“Todas as pessoas precisam da materialidade. O amor precisa do material: não adianta só sentir, é necessário haver espaço, tempo e dedicação. A criança nasce tão sem nada que aprende que, o que a sua mãe faz, três ou quatro vezes seguidas, é a verdade.

[…] A mãe ensina o filho a mamar, troca-lhe a roupa, limpa-o e põe-no no berço. Se o bebê tem um reflexo, a mãe se assusta e o pega no colo novamente, devolvendo-o ao berço apenas quando ele volta a dormir. Logo, o bebê começa a se mexer, e a mãe fica prestando atenção. Se ele mexe a boca, a mãe pensa que está com fome e se adianta a alimentá-lo. Isso tudo significa muito amor, mas falta de conhecimento, pois o sono da criança é profundo, mas também superficial, então, se a mãe interrompe o ciclo desse sono para dar-lhe de mamar, por exemplo, o bebê aprende a despertar, não dormindo mais. […] A criança entende que não é seguro dormir no berço, apenas no colo da mãe.

O colo da educação também tem que ser composto pelo pai. A educação da criança se pauta no clima de entrega dos pais e não no clima de sobrevivência destes. As crianças, hoje, têm proteção, mas não estão aprendendo. Em um colo sem abraço, a criança pode fazer o que quiser. A educação começa o mais imediatamente possível. Se toda vez que um bebê abrir a boca receber logo uma mamadeira ou um seio, ele irá crescer com a ansiedade de sempre querer comer um chocolate, um salgadinho ou algo do gênero. Berço é uma organização familiar que educa a criança desde o começo, fazendo com que ela aprenda a noção de valores progressivamente, de acordo com a idade que vai adquirindo”.

Excertos da fala do saudoso mestre, Içami Tiba, no programa “Sempre um Papo”. Assista na íntegra no vídeo abaixo.

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