Gilles Deleuze explica o que é fascismo etimológico, social e político

“Não é incomum para as pessoas votarem em partidos contrários à sua situação social, trabalharem para patrões que os tratam horrivelmente, e ficarem à favor de familiares não importa o quão péssimos sejam. Para o filósofo francês Gilles Deleuze, o desejo de opressão vem da crença de que as pessoas devem reprimir seus desejos. E através desta repressão, as massas ficam preparadas para aceitar o fascismo.

O fascismo não é apenas algo que acontece dentro dos governos – o fascismo está dentro de cada um de nós – é um fascínio e um amor pelo poder. As pessoas anseiam serem guiadas, protegidas […] são levadas por seu desejo inconsciente de submeterem-se a força – o déspota sacia a necessidade de um pai provedor e de uma mãe carinhosa.

Vivemos em uma sociedade que produz enormes quantidades de ansiedade. A pressão social proclama: Mantenha um bom trabalho, faça exercícios, coma saudável, use fio dental e escova regularmente, não corra riscos desnecessários ou você vai morrer.

Como tal, existe um desejo por uma existência livre de problemas, uma vida protegida e abrigada sem conflitos, perigo ou luta. Tudo que você tem a fazer é desistir de sua liberdade em conformidade com os costumes sociais e ideais ditados por um líder forte.

As pessoas são ensinadas a negar o desejo – a ter vergonha de seus impulsos sexuais, de quaisquer fantasias ou predileções atípicas. Ceder a suas inclinações é ser pervertido – reprimir desejos é natural e divino.

Profissões inteiras são dedicados a fazer você se sentir doente, a fim de te venderem uma cura.

Indo na contramão da psicanálise, Deleuze e Guattari sugerem esquizoanálise ou análise que não se baseia em normalidade, poder e repressão. Contra Édipo, eles preferem Anti-Édipo – uma máquina desejante, de luta contra fascismo”.

“(…) é muito fácil ser antifascista no nível molar, sem ver o fascista que nós mesmos somos, que entretemos e nutrimos, que estimamos com moléculas pessoais e coletivas”. (Gilles Deleuze e Guattari, Mil Platôs vol.3)

Portal Raízes

As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.

Recent Posts

“Bater em criança não é um direito dos pais. É um ato de imaturidade, descontrole e inabilidade emocional”

Educar uma criança é uma das tarefas mais complexas e transformadoras da experiência humana. Nenhum…

3 dias ago

CRIANÇAFOBIA: Quando foi que começamos a esquecer o que é ser criança?

Vivemos um tempo estranho. Nunca se falou tanto sobre desenvolvimento infantil e, paradoxalmente, nunca pareceu…

6 dias ago

Ninguém amadurece afetivamente sozinho: é na experiência do cuidado compartilhado que nos constituímos – Com bell hooks

Durante séculos, o amor romântico foi apresentado como uma espécie de destino inevitável. A literatura,…

2 semanas ago

O efeito da alimentação e da nutrição na vitalidade dos homens

Numa era em que as tendências de bem-estar dominam as redes sociais e as aplicações…

2 semanas ago

Celulares sem bloqueio à noite expõem crianças e adolescentes a riscos inimagináveis – ComVanessa Cavalieri

Este artigo busca refletir sobre a interseção entre tecnologia, infância e o papel dos adultos…

2 semanas ago

Maravilhosa Sra Maisel: Quem você é quando para de ser o que os outros esperam?

Disponível na Prime Vídeo, Maravilhosa Sra. Maisel (Marvelous Mrs. Maisel) 2017, não é apenas uma…

2 semanas ago