Foto: Gregorio Borgia/AP
“Não condene. Dialogue. Entenda. Dê espaço para a criança para que ela possa se expressar”, foram as palavras do Papa Francisco, no domingo (26) em uma entrevista coletiva no avião que o levou de volta a Roma após uma viagem à Irlanda. O papa foi questionado sobre o que ele diria a um pai de uma criança que acabou de revelar que é homossexual. O pontífice disse que primeiro sugeriria a oração.
“Quando é observado a partir da infância, há muito que pode ser feito por meio da psiquiatria, para ver como são as coisas. É outra coisa quando se manifesta depois dos 20 anos”, disse o Papa, segundo a France Presse.
Ele sugeriu aos pais que não respondessem à situação com silêncio. “Ignorar a criança com essa tendência mostra falta de maternidade e paternidade. Esta criança tem o direito a uma família. E a família não está jogando essa criança fora”, declarou.
Associações LGBT francesas interpretaram que o Papa considera a homossexualidade como uma doença e criticaram seus comentários como “irresponsáveis”.
“Condenamos estas declarações que fazem referência à ideia de que a homossexualidade é uma doença. Se há uma doença é esta homofobia arraigada na sociedade”, disse à agência France Presse Clémence Zamora-Cruz, porta-voz da Inter LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais).
Suas palavras “graves e irresponsáveis incitam o ódio contra as pessoas LGBT em nossas sociedades já marcadas por altos níveis de homofobia”, reagiu no Twitter a organização SOS Homofobia.
Um porta-voz do Vaticano explicou à agência France Presse que a palavra “psiquiatria” foi retirada do boletim “para não alterar o pensamento do papa”.
“Quando o Papa se refere à ‘psiquiatria’, é claro que ele faz isso como um exemplo que entra nas coisas diferentes que podem ser feitas”, explicou a mesma fonte.
“Mas, com essa palavra, ele não tinha a intenção de dizer que se tratava de uma doença psiquiátrica, mas que talvez fosse necessário ver como são as coisas no nível psicológico”, acrescentou o porta-voz.
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