Uma das mais poderosas instituições religiosas e capitalistas do mundo, a Igreja Católica tem US$ 3 trilhões bens, incluindo dinheiro em conta, propriedades, ouro, obras de arte etc.
O Instituto para as Obras de Religião (IOR), como é conhecido internamente o Banco do Vaticano, é uma solução e um problema (leia o texto “O livro negro do Vaticano”) para a Igreja Católica. Figurou, “no princípio dos anos 2000, entre os dez maiores paraísos fiscais offshore do mundo, abrigando evasões de impostos e lavagem de dinheiro”.
“Estima-se que a Igreja Católica seja dona de 20% dos bens imóveis de toda a Itália e de 25% dos imóveis em Roma”, revela Alexander Stille. “Estima-se que a Propaganda Fide, ou Sagrada Congregação para a Evangelização dos Povos, a entidade do Vaticano que patrocina missões religiosas no exterior, seja proprietária de 10 bilhões de dólares em bens imóveis, concentrados sobretudo em Roma e dos quais fazem parte algumas das mais belas edificações históricas da cidade”, informa a reportagem da “New Yorker”.
O papa Francisco, em julho de 2015, endossou as ações dos novos gerentes: “Não tenhamos medo de dizer: queremos mudança, mudança de fato, mudança estrutural”. Ao mesmo tempo, condenou o sistema capitalista, que, na sua opinião, “impôs a mentalidade do lucro a qualquer preço, sem nenhuma preocupação com a exclusão social ou com a destruição da natureza”. Retórica? Em parte, sim. No geral, homem sincero e realista, o papa pensa mesmo um pouco mais nos pobres.
O papa Francisco afirmou aos participantes da conferência “Deus não mora mais aqui? Cessão de lugares de culto e gestão integrada dos bens culturais eclesiásticos” (29-30 de novembro de 2018) que o valioso patrimônio cultural da Igreja Católica deve estar “a serviço dos pobres” e que sua eventual venda não pode ser vista com “escândalo”.
“Os bens culturais são voltados às atividades de caridade desenvolvidas pela comunidade eclesiástica. O dever de tutela e conservação dos bens da Igreja, e em particular dos bens culturais, não tem um valor absoluto, mas em caso de necessidade eles devem servir ao bem maior do ser humano e especialmente estar a serviço dos pobres”, disse o Papa.
Segundo Francisco, a constatação de que muitas igrejas “não são mais necessárias por falta de fiéis ou padres ou por mudanças na distribuição da população nas cidades e zonas rurais deve ser vista como um sinal dos tempos que nos convida a uma reflexão e nos impõe uma adaptação”.
Na mensagem, Francisco ressaltou que a venda de bens da Igreja não deve ser a primeira e única solução, mas também não pode ser executada com escândalo por parte dos fiéis.
“Esta reflexão, iniciada há algum tempo em nível técnico nos campos acadêmico e profissional, já foi abordada por alguns episcopados”, acrescenta o Papa. “A conferência certamente dará sugestões e indicará linhas de ação, mas os resultados concretos e as escolhas finais caberão aos bispos. Recomendo-lhes vivamente que cada decisão seja fruto de uma reflexão coletiva realizada no seio da comunidade cristã e em diálogo com a comunidade civil. O descarte não deve ser a primeira e única solução a se pensar – sublinha o pontífice argentino – nem deve ser realizado com escândalo para os fiéis”.
“Se for necessário, deve ser inserido no tempo no planejamento pastoral ordinário, ser precedido de informações adequadas e compartilhado tanto quanto possível”, escreve Francisco, que conclui explicando que “mesmo a construção de uma igreja ou sua nova destinação não são operações que podem ser tratadas apenas do ponto de vista técnico ou econômico, mas devem ser avaliadas segundo o espírito de profecia : de fato, através delas passa o testemunho da fé da Igreja, que acolhe e valoriza. a presença do seu Senhor na história”.
Atualização em janeiro de 2023
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