Atualização em fevereiro de 2022.

Uma das mais poderosas instituições religiosas e capitalistas do mundo, a Igreja Católica tem US$ 3 trilhões bens, incluindo dinheiro em conta, propriedades, ouro, obras de arte etc.

O Instituto para as Obras de Religião (IOR), como é conhecido internamente o Banco do Vaticano, é uma solução e um problema (leia o texto “O livro negro do Vaticano”) para a Igreja Católica. Figurou, “no princípio dos anos 2000, entre os dez maiores paraísos fiscais offshore do mundo, abrigando evasões de impostos e lavagem de dinheiro”.

“Estima-se que a Igreja Católica seja dona de 20% dos bens imóveis de toda a Itália e de 25% dos imóveis em Roma”, revela Alexander Stille. “Estima-se que a Propaganda Fide, ou Sagrada Congregação para a Evangelização dos Povos, a entidade do Vaticano que patrocina missões religiosas no exterior, seja proprietária de 10 bilhões de dólares em bens imóveis, concentrados sobretudo em Roma e dos quais fazem parte algumas das mais belas edificações históricas da cidade”, informa a reportagem da “New Yorker”.

O papa Francisco, em julho de 2015, endossou as ações dos novos gerentes: “Não tenhamos medo de dizer: queremos mudança, mudança de fato, mudança estrutural”. Ao mesmo tempo, condenou o sistema capitalista, que, na sua opinião, “impôs a mentalidade do lucro a qualquer preço, sem nenhuma preocupação com a exclusão social ou com a destruição da natureza”. Retórica? Em parte, sim. No geral, homem sincero e realista, o papa pensa mesmo um pouco mais nos pobres.

Papa sugere vender bens da Igreja para ajudar pobres

O papa Francisco afirmou que o valioso patrimônio cultural da Igreja Católica deve estar “a serviço dos pobres” e que sua eventual venda não pode ser vista com “escândalo”.

As declarações estão em uma mensagem aos participantes de um congresso sobre a gestão dos bens culturais eclesiásticos e a cessão de lugares de culto, realizado pelo Pontifício Conselho para a Cultura e pela Conferência Episcopal Italiana (CEI).

“Os bens culturais são voltados às atividades de caridade desenvolvidas pela comunidade eclesiástica. O dever de tutela e conservação dos bens da Igreja, e em particular dos bens culturais, não tem um valor absoluto, mas em caso de necessidade eles devem servir ao bem maior do ser humano e especialmente estar a serviço dos pobres”, disse o Papa.

Segundo Francisco, a constatação de que muitas igrejas “não são mais necessárias por falta de fiéis ou padres ou por mudanças na distribuição da população nas cidades e zonas rurais deve ser vista como um sinal dos tempos que nos convida a uma reflexão e nos impõe uma adaptação”.

Na mensagem, Jorge Bergoglio ressaltou que a cessão de bens da Igreja “não deve ser a primeira e única solução”, mas também não pode ser feita sob “escândalo dos fiéis”.

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