Este estudo se baseia na análise dos homens e das mulheres como seres vivos evolutivos: macho e fêmea; e leva em consideração a herança genética e as fenomenologias socioculturais. Satoshi Kanazawa, especialista em psicologia evolutiva da London School of Economics, o autor do estudo, em seu livro “The Intelligence Paradox” (O Paradoxo da Inteligência: Por que a escolha inteligente nem sempre é a mais esperta, 2012, sem tradução para o português), expande sua teoria, propondo uma interação com o QI.

A hipótese é que indivíduos mais inteligentes são mais propensos a comportamentos evolutivamente novos e mais propensos a valores que promovem maior desejo de novidade. Para justificar sua ideia, Kanazawa analisa milhares de dados dos sistemas de saúde de diversos países que mantém registro da inteligência medida por teste de QI dos cidadãos.

De acordo com Satoshi Kanazawa, pessoas do gênero masculino inteligentes emocionalmente são mais propensas a valorizarem à exclusividade sexual, do que as pessoas que não têm inteligência e maturidade cognitiva-emocional. Kanazawa analisou duas grandes pesquisas americanas a National Longitudinal Study of Adolescent Health e a General Social Surveys, que mediam atitudes sociais e inteligência de milhares de homens e mulheres, adolescentes e adultos.

Ao cruzar os dados das duas pesquisas, o autor concluiu que os homens que acreditam na importância da fidelidade sexual, demonstraram um nível mais alto de inteligência. Mostrou ainda que o comportamento de fidelidade nos homens mais inteligentes, é um sinal da evolução da espécie em si.

Os machos foram aparelhados institivamente para abandonarem as fêmeas e suas crias

Sua teoria é baseada no conceito de que, ao longo da história evolucionária, os homens sempre foram relativamente polígamos. Os homens enquanto seres vivos, machos, eram ‘aparelhados’ instintivamente à buscar por várias fêmeas e consequentemente a abandoná-las depois que ficavam grávidas. E na busca por outras fêmeas em idade fértil, eles abandonavam também suas crias. Mesmo que em pleno século 21 alguns homens ainda buscam por várias mulheres e também abandonam seus filhos de um jeito ou de outro, essa ‘aparelhagem’ está mudando conforme as sociedades vão se ajustado à paradigmas culturais menos cruéis.

Para Kanazawa, assumir uma relação de exclusividade sexual tem se tornado, então, uma novidade evolucionária para os homens. E aqueles que buscam por práticas emocionais inteligentes e desconstruídas do machismo estrutural, estão mais inclinados a se tornarem mais evoluídos de forma integral. Para o autor, isso se deve ao fato de homens mais inteligentes serem mais abertos à novas ideias e questionarem mais os dogmas e a si mesmos.

As mulheres e a sua relação com a prática da fidelidade

Claro, as mulheres também são capazes de trair. Entretanto, segundo Kanazawa as mulheres têm mais interesse e facilidade em manterem a exclusividade sexual, não necessariamente porque têm maior inteligência cognitiva/emocional, pois isso não pôde ser analisado e levado em conta no estudo, porque as mulheres sempre foram relativamente monogâmicas e sendo assim, a fidelidade não representaria uma evolução para elas. Observa-se que a monogamia feminina é, ainda nos dias atuais, considerada uma imposição social: “a mulher não tem o direito à infidelidade, mas os homens têm suas necessidades”. Dessa forma não pode saber se a evolução da fidelidade mudou entre as mulheres, porque a evolução só acontece quando o indivíduo tem a liberdade de fazer, ou não, alguma coisa que considere não praticável.

Uma vez infiel, sempre infiel?

Olhando por este prisma evolutivo, uma vez infiel, sempre infiel? O especialista afirma que a mudança parte de uma grande busca pelo autoconhecimento, pela aceitação de que esse tipo de comportamento afeta as relações afetivas e que precisa de ajuda para deixar de ser infiel, para evoluir em inteligência e maturidade emocional. E tudo bem precisar de ajuda.

Trecho extraído do artigo Personality and Individual Differences – Tradução e livre adaptação: Portal Raízes.






As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.