“Eu quero fazer uma pergunta: quem representa a parte mais inteligente da humanidade, as mulheres ou os homens? Eu quero dizer com uma boa margem de segurança que são as mulheres.

As mulheres frequentemente são mais altruístas, solidárias, generosas e empáticas do que os homens. Se as mulheres fossem generais, muito provavelmente, não haveria guerras porque elas não teriam coragem de enviar os seus filhos aos campos de batalha. Na história, os maiores crimes foram cometidos por homens. Raramente as mulheres cometem grandes atrocidades.

Nós temos que repensar o valor, a grandeza, a espetacularidade das mulheres. Elas infelizmente ao longo da história foram vilipendiadas, massacradas em seus direitos fundamentais. Milhares de mulheres foram apedrejadas quando adulteravam e os homens que estavam com elas ficavam livres; milhões de mulheres foram silenciadas e não poucas foram queimadas onde se achava que aquelas mulheres estavam indo contra a religiosidade da época.

Mas o Mestre dos mestres há dois mil anos, valorizou tanto as mulheres que considerava prostitutas rainhas e até mesmo advertiu os religiosos do seu tempo, dizendo que prostitutas precederiam na Sua história e no Seu reino. Jesus defendeu os direitos das mulheres, mas o fato é que as mulheres ao longo da história sofreram muito mais do que nós imaginamos.

As mulheres no século passado conquistaram o direito de votarem, de trabalharem e de estudarem. A conquista do direito de trabalhar e estudar foi algo fantástico, mas o sistema machista pegou modelos magérrimas para venderem produtos e serviços […] e quando isso se tornou uma constante, aconteceu um fenômeno chamado RAM – Registro Automático da Memória que arquiva não apenas o produto, mas também, subliminarmente, o corpo da modelo na mesma janela. E isso leva a um consumo, uma necessidade neurótica, não apenas de ter aquele produto, mas a ter um corpo magérrimo e uma rejeição pelo próprio corpo ou por uma área do corpo.

E é por isso que milhões de mulheres vão diante do espelho e têm uma rejeição contumaz do seu corpo. Elas fazem a pergunta ao contrário: ‘espelho, espelho meu existe alguém que tenha mais defeitos do que eu?’.

Então se as mulheres não aprenderem a reciclar sua autoimagem e perceberem que o sistema depõe contra a saúde emocional e contra a felicidade delas, porque uma pessoa infeliz com o seu corpo, com baixa autoestima consome muito mais do que uma pessoa bem resolvida. Se elas não entenderem isso, serão escravas em sociedades livres.
Mulheres inteligentes têm relacionamentos saudáveis. Mas para que elas tenham uma inteligência multifocal, precisam namorar a vida, precisam ter um caso de amor consigo, serem apaixonadas por sua própria história, pelo seu DNA, ainda que o seu DNA patrocine um corpo que não tenha muitas das características das modelos magérrimas”.

Excerto de uma fala do doutor Augusto Cury, extraído um vídeo publicado no canal Escola da Inteligência. Transcrição e livre adaptação de Portal Raízes. Assista na íntegra abaixo:

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