Reviver um trauma é tornar presente, outra vez, uma dor lancinante

Soraya Rodrigues de Aragão

Pessoas que desenvolveram algum trauma, apresentam bloqueios emocionais, onde a marca principal é o aprisionamento de memórias dolorosas, impedindo a presentificação da vida e consequentemente repercutindo na saúde psicofísica do indivíduo. Em outras palavras, no trauma, a experiencia é bloqueada, sendo vivenciada e presentificada recorrentemente de forma intrusiva no cotidiano da pessoa, como se o evento tivesse ocorrido naquele mesmo dia, com toda a carga psicossomática, vivendo o indivíduo preso em uma armadilha dos fantasmas de suas vivências mal elaboradas.

A revivescência do trauma é a própria presentificação da dor visceral e lancinante.

Por este motivo, ressalto a importância do reprocessamento dos conflitos internos e dores emocionais através da reorganização de um sentido destas memórias aflitivas e emoções disfuncionais, objetivando reconquistar a homeostase psíquica, a reorganização do ser, a reestruturação cognitiva do trauma, objetivando a dessensibilização e ressignificação destas dores emocionais. A importância da ressignificação consiste em observar e sentir o acontecimento traumático de um outro ponto de vista, de uma outra perspectiva através de um trabalho psicoterapêutico.

Há dois tipos de traumas emocionais: aquele pontual, mas devastador. Contudo, tem outro tipo de trauma que, embora de pouca intensidade, vai se sedimentando pouco a pouco e resultando na formação de uma lesão emocional profunda resultante de situações estressógenas sobrepostas e mal elaboradas dia após dia, mesmo sem que haja a percepção deste fato.

Não importando o tipo de trauma, o trabalho psicoterapêutico, através de suas técnicas transforma a areia da concha em pérola, aproveitando uma experiencia de sofrimento devastador em fortalecimento da autoestima, na promoção do autodesenvolvimento e no fortalecimento da resiliência para que nos tornemos mais preparados diante das adversidades da vida.

Trabalhar a dor não é uma tarefa fácil. No entanto, este processo libera dores presentificadas e resistências, exorciza fantasmas, tornando-nos mais conscientes de nossa capacidade de superação e fortaleza.

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Soraya Rodrigues de Aragão
Soraya Rodrigues de Aragão é psicóloga, psicotraumatologista, escritora e palestrante. Realizou seus estudos acadêmicos na Unifor e Università di Roma. Equivalência do curso de Psicologia na Itália resultando em Mestrado. Especializou-se em Psicotraumatologia pela A.R.P. de Milão. Especializanda em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde - Universidad San Jorge (Madri) e Sociedad Española de Medicina Psicosomática y Psicoterapia.   Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e membro da Sociedade Italiana de Neuropsicologia. Autora do livro Fechamento de Ciclo e Renascimento: este é o momento de renovar a sua vida. Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2016; e do Livro Digital: "Transtorno do Pânico: Sintomatologia, Diagnóstico, Tratamento, Prevenção e Psicoeducação. É autora do projeto "Consultoria Estratégica em Avaliação Emocional'.