4 Estratégias para lidar com uma mãe que nunca demonstrou afeto

Alguns filhos já sabem disso quando ainda são crianças, mas a maioria só se dá conta de que não foram amados pelas suas mães quando já estão na fase adulta, mesmo assim é difícil aceitar. A culpa, a necessidade de aceitação, a busca pelo reconhecimento e o medo podem vedar nossos olhos para a verdade, mas o fato é que ser criada por uma mãe que não te ama pode gerar efeitos negativos graves e causar algumas feridas que só poderão ser curadas com o tempo e o entendimento.

Mascarar a verdade ou fugir dela só irá trazer mais sofrimento, a aceitação é um caminho longo, mas compreender o motivo pelo qual você não foi amado quando criança e fazer alguma coisa disso (não se limitar à passividade do fato) podem te livrar de um peso enorme.

Quando somos crianças não temos um cérebro funcional e racional, nossas ferramentas para lidar com esses problemas emocionais são limitadas, por isso somos levados pela emoção. As crianças geralmente se culpam pelas coisas erradas que acontecem em casa e quando não somos amados pela mãe, acabamos nos culpando por isso, passamos a sentir que não somos dignos do amor de ninguém. Na cabeça da criança ocorre: ”Se nem a minha própria mãe me ama, como alguém poderá me amar?”. Deste modo, tentamos compensar essa carência através da busca pelo reconhecimento, o que geralmente não é alcançado e acaba aumentando o sentimento de culpa na criança, pois, apesar dos seus esforços, ela não consegue se sentir amada pela mãe.

Essa culpa pode ser carregada durante a vida adulta e formar em uma grande sensação de vazio dentro dela, que se expressa como uma necessidade/ansiedade inconsciente de fazer as coisas em busca de Ser o filho que ele acredita que a sua mãe amaria. A experiência subjetiva de ”filho mal-amado” pode gerar um padrão mental de auto-crítica e uma mentalidade negativa sobre si mesmo, como se nada do que você fizesse fosse o suficiente.

A seguir estão algumas estratégias para você lidar melhor com isso:

1. Pare com a negação:

Não se culpe pelas ações da sua mãe. Não é sua culpa que ela não te ame, ou que não tenha te amado, se culpar por isso só irá trazer mais sofrimento e aumentar ainda mais a sua culpa. Permita-se admitir que talvez a sua mãe não tenha sido uma pessoa boa para você. Eu sei, é difícil aceitar isso, principalmente em nossa cultura que idealiza a maternidade, mas este é um passo necessário e importantíssimo para a sua recuperação. Todo processo de cura envolve aceitação e neste caso não é diferente.

Quando crianças, achamos que tudo o que nossos pais falam é verdade, mas agora você já é adulto e é capaz de fazer seus próprios julgamentos e tirar suas próprias conclusões, pare de negar isso para si mesmo. A partir do momento que você parar com a negação, estará mais apto a ver as coisas com mais clareza e, portanto, conseguirá lidar melhor com essa situação.

Pra que segurar um peso que só te puxa para baixo? Lembre-se: você não precisa que o seu passado se torne um fantasma  sempre assombrando a sua vida presente. Optar pela mudança é sempre uma escolha pessoal, o que significa que é uma escolha exclusivamente sua. O processo de aceitação pode ser lento e doloroso, então se dê o tempo necessário para aceitá-lo, você se sentirá bem melhor depois.

2. Não se critique:

Talvez você tenha passado todos esses anos se culpando por não ter sido bom o suficiente e seguido um longo caminho de autocrítica feroz. Mas você está certo de que todas as suas autocríticas condizem com a realidade? Olhe para trás; será que tudo que você fez até aqui foi realmente um fracasso?

A maneira que você pensa sobre si mesmo atrapalha na forma como você vê o mundo, e a forma como você vê o mundo se baseia no modo como você se sente na relação com a sua mãe. Isso também não é sua culpa e já está na hora de você parar de se culpar e se livrar desse sentimento de rejeição. Você precisa construir sua autoconfiança.

Se você não conseguir ver os aspectos positivos sobre si mesmo, peça a um amigo de confiança que saliente os seus pontos positivos, faça uma lista e leia-os regularmente, principalmente quando estiver se sentindo triste, aos poucos você vai notar a diferença. Nunca é tarde para reaprender a viver.

3. Tente desenvolver  a  Empatia:

Você não pode mudar o passado, mas isso não significa que não possa aprender nada com ele. Talvez você tenha sido criado sob um padrão de regras e condutas rígidas que visavam sua “disciplina” e que, segundo sua mãe, eram “necessárias” para a construção do seu caráter. Agora tente se colocar no lugar dela, eu sei, não é nada fácil, mas tente se lembrar da infância da sua mãe e de como ela foi criada, é provável que ela também tenha enfrentado uma infância difícil e talvez tenha sofrido o mesmo ou até mais que você.

Provavelmente foi criada por este sistema de regras e fez o mesmo com você porque desconhecia outra maneira melhor de educar. Não estou dizendo que tudo que a sua mãe fez é justificável, mas talvez olhar as coisas por um outro ponto de vista possa esclarecer melhor algumas coisas e ajudá-lo a entender e, talvez, a ressignificar a relação com sua mãe.

4.  Desabafe:

Se possível, converse com sua mãe, talvez ela não saiba o quanto você foi afetado pela sua criação, ligue para ela, faça uma visita e tenha uma conversa franca sobre os pontos que te afetam Provavelmente vocês não terão o mesmo ponto de vista sobre a sua infância e talvez ela nem mesmo saiba que você esteja ferido por isso, como disse antes, quando somos crianças tendemos a maximizar algumas situações. Isso não quer dizer que o que você sente ou lembra seja irreal, mas que talvez agora, depois de adulto, você consiga entender algumas situações com mais clareza.

Se vocês não mantiverem mais contato, ou se o contato for impossível, escreva em um papel todas as razões pelas quais você está magoado com ela, ou não se sente amado, jogue no papel todas as suas emoções ruins, se precisar chorar, chore! Faça disso um ritual para se livrar das mágoas do passado, depois queime esse papel e siga em frente. Também pode ser de grande ajuda conversar com algum parente de confiança sobre isso.  Mas acima de tudo tente entender e perdoar e amar a si mesmo. Se for feito de maneira eficaz, isso será capaz de transformar o modo como você se sente com relação a si mesmo e com o mundo.

Se apesar de seguir todas as instruções listadas acima você ainda não conseguir se livrar desse sentimento de culpa/rejeição, creio que uma psicoterapia poderá te ajudar muito nesse processo. Nem sempre conseguimos lidar com as coisas sozinhos, ainda mais quando se trata de um assunto que envolve uma carga emocional tão grande quanto este. Não tenha vergonha de procurar ajuda e seguir em frente com a sua vida.

Texto de Raquel Lopes

FONTEPsiconlinenews
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