A educadora parental, Laura Linn Knight, autora de livros que ensinam os tutores que educar filhos não precisa ser uma jornada de arrancar os cabelos e causar angustias que lhes façam gritar com as crianças e se sobrecarregarem de vergonha e frustração. Ela que é mãe de duas crianças pré-adolescentes, pode vivenciar na prática como a sua teoria de a melhor maneira de ensinar boas maneiras às crianças é lendo muito sobre o assunto em fontes confiáveis, pedindo ajuda de profissionais na área e jamais se envergonhando por não dar conta de tudo sozinha, por não ser uma super-heroína, um super-herói, compreendo e se aceitando apenas como uma pessoa que veio ao mundo para aprender sempre, em tudo, e especialmente a educar filhos. Confira:

Aprender para ensinar praticando

A melhor maneira de incutir uma compreensão de boas maneiras em uma criança é modelando o seu comportamento (mas você já sabia disso, certo?). A segunda melhor maneira é lendo. Claro, os livros devem ser para os tutores e outros formatos para crianças, de acordo com cada idade. Para os tutores, livros e/ou artigos específicos, escritos por profissionais, sobre como ensinar as crianças a se comportarem. Para as crianças, selecione livros que contam a história de personagens que tenham modos bons e ruins. Histórias assim, oferecem muitas oportunidades construir um diálogo e ensinar um comportamento educado.

10 boas maneiras para ensinar às crianças no dia-a-dia

Em todas as etapas você pode usar o lúdico, pois brincar é trabalho de criança. É brincando que ela aprende a lidar com as questões mais complexas da vida, porque permite que os pais passem um tempo com ela enquanto encenam cenários relevantes. Use fantoches para construir histórias ou use os próprios brinquedos: pelúcias, bonecas, bonecos de super-heróis… de todos os brinquedos favoritos da criança, é possível criar uma história que possa gerar uma conversa sobre como se comportar.  O resultado final é uma experiência de aprendizado socioemocional à qual as crianças são particularmente receptivas, com lições que serão lembradas na vida diária. É importante ressaltar que cada conquista da criança em prol das boas maneiras deve ser celebrada. No entanto, esse reforço não precisa vir na forma de um sistema de recompensa. Na verdade, recomendo que os pais se atentem a reconhecimentos verbais sinceros de bom comportamento ao invés de dar presentes, doces, etc… A criança precisa aprender que o bom comportamento não é digno de presente, porque é uma obrigação se comportar bem. Mas que as suas conquistas no processo de aprendizagem são respeitadas, reconhecidas e aplaudidas por quem lhe deseja uma boa vida.  Então, como ensinar boas maneiras á criança no dia-a-dia? Confira:

1. Palavras mágicas

A hora de começar a ensinar as palavras mágicas: por favor, obrigado, desculpe, com licença, bom dia, boa noite, etc, é desde bebezinho. Especialmente dando exemplos ao falar com a própria criança: “você pode vir aqui, por favor?”. Lembre-se, as crianças obedecem quem elas admiram. E elas vão admirar muito você, se você der exemplo de como usar as palavras mágicas.

2. Modos à mesa

Crianças mal comportadas á mesa durante os jantares em família, num restaurante ou na casa de outra pessoa, podem fazer quaisquer tutores questionarem suas habilidades de educação.  Para resolver esse dilema comum, Knight sugere um jantar especial semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente de acordo com suas condições. Peça a todos que ponham suas melhores roupas e organize a mesa da melhor maneira possível e você ficará surpreso em como esse ritual deixa as crianças ansiosas para participar e como seus modos à mesa também se traduzem em outros jantares em casa e fora dela.  Apenas lembre-se de manter suas expectativas adequadas à idade. Você pode ensinar seu filho de 2 anos a não bater o garfo na mesa, mas pedir-lhe que fique quieto para uma refeição de 30 minutos é uma tarefa difícil. Comece com apenas 5 minutos e vá subindo a partir daí.

3. Higiene

Lavar as mãos, escovar os dentes, cobrir a boca ao tossir ou espirrar – essas práticas básicas de higiene são essenciais e melhor ensinadas por meio da repetição e da rotina. Esses bons hábitos se tornarão arraigados com o tempo, desde que você permaneça consistente (e os modele você mesmo, é claro). Comece ensinando às crianças a importância da higiene básica, dando-lhes uma ajuda e, por volta dos 3 a 5 anos, deixe seu filho tentar essas tarefas sozinho com você presente. Por volta dos 6 aos 9 anos, seu filho deve ser capaz de fazer sua rotina de higiene diária sozinho e sem ser solicitado.

4. Saudação aos visitantes

Mesmo crianças tímidas podem aprender a reconhecer respeitosamente a presença de um visitante, desde que tenham um pouco de prática. Novamente, a brincadeira pode auxiliar muitíssimo. Para crianças de 3 a 6 anos, encene o cenário fazendo com que um parente próximo toque a campainha e finja entrar, para que seu filho tenha a chance de executar o roteiro. (Oi! Como você está? É bom ver você também). Depois que seu filho tiver dominado isso, ele estará pronto para desenvolver suas habilidades sociais recém-adquiridas com membros da família extensa e, eventualmente, conhecidos aleatórios também. Uma ressalva muito importante é que você jamais deva obrigar a criança a beijar, abraçar, sentar no colo… de alguém, seja homem ou mulher. Se a criança demonstrar repulsa por alguém, converse com ela posteriormente e não a force. Forçar uma criança a dar ou receber afeto indesejado pode estar facilitando abuso sexual. Quanto a isso, você pode ensinar uma palavra senha para a criança: “se você não gosta de uma pessoa porque ela lhe fez mal ou pediu para você guardar um segredo sobre o seu corpo, você pode me dizer a palavra ‘foguete’ (exemplo) e eu saberei o que fazer”.

5. Não interromper os adultos enquanto falam

Outra coisa que se deve ensinar enquanto brinca é que todos têm um tempo para falar e serem ouvidos. Façam uma brincadeira com uma lanterna e cada vez que a lanterna acender uma pessoa diferente fala. Para crianças a partir de 3 anos, treine uma expressão facial que possa indicar se é ou não a vez dela de falar. Este acordo mútuo e a dica visual ajudarão seu filho a desenvolver o autocontrole necessário para esperar sua vez de falar.

6. Assumindo a responsabilidade

Todos nós estamos tentando criar nossos filhos para serem humanos gentis e empáticos, mas simplesmente forçar uma criança a se desculpar não adianta muito no longo prazo . Na verdade, exigir um pedido de desculpas de uma criança geralmente resulta em pouco mais do que uma expressão não sincera de como se sente. Uma abordagem que você pode tentar com a criança é: “Você agarrou o brinquedo da coleguinha e agora ela está chateada – gostaria de pedir desculpas? Pedir desculpas é o que fazemos quando nos sentimos mal por alguma coisa errada que fizemos. Quando pedimos desculpas a pessoa se sente melhor e nós também”.

7. Não dar birra na loja

Quer seja implorando, resmungando ou gritando, uma criança implorando por doces quando você só foi comprar legumes não é divertido. Na verdade, para os pais cujos filhos não aprenderam a aceitar um “não” como resposta, uma corrida normal ao supermercado é um pesadelo. A solução? Conversar com a criança antes de sair de casa. Dizer onde vai e o que vai comprar. Deixar bem claro que naquele dia não comprará nada para ela e que ela não deve insistir. Você também pode separa uma mesada para oferecer a criança. Crianças a partir dos 4 anos podem se beneficiar dessa prática comum enquanto aprendem algumas habilidades financeiras valiosas. Além disso, ao fazer com que a criança gaste os seu próprio dinheiro na loja, você a coloca no comando de suas escolhas e economias. Mais uma forma de fazê-la pensar duas vezes se compra ou não aquele pacote de chocolate.

8. Bondade

Respeito mútuo e empatia são a essência do que significa ter boas maneiras. Na verdade, a gentileza realmente é apenas um modo de vida, e é por isso que Knight afirma que é importante ajudar a criança a “estabelecer uma prática interna de gentileza” desde tenra idade. Uma maneira fácil de fazer isso é com um ritual na hora de dormir que envolve pedir à criança que identifique um momento em que ela foi gentil naquele dia ou como alguém foi gentil com ela. Esse tipo de “pergunta do pensamento crítico, realmente ajuda a criança a criar um hábito em torno da bondade”. Além disso, não se preocupe se seu filho não fez nada gentil e não tem uma boa resposta – isso só vai motivá-lo a ter uma resposta melhor amanhã.

9. Ajudando nas tarefas domésticas

Vários especialistas são enfáticos em dizer que crianças pequenas gostam e devem ajudar nos afazeres da casa. Comece se sentando com a criança e expondo as suas expectativas e escute o que ela tenha a dizer. Esta é uma equação simples que não depende de punições, ameaças ou subornos, mas sim de consequências naturais. Digamos, por exemplo, que a noite de cinema em família começa às 18h, todas as sextas-feiras, mas apenas se os brinquedos forem guardados primeiro – então, se chegar ás 18h30 e a criança ainda não tiver limpado, infelizmente não haverá cinema em família. Conheça a Tabela Montessori de tarefas que a criança pode fazer de acordo com sua idade.

10. Linguagem educada sem xingamentos

Xingamentos, palavrões – esse tipo de discurso nunca é encantador, mas as crianças aprendem com facilidade. Para a faixa etária de crianças pequenas e pré-escolares, sua melhor aposta é dar exemplo e evitar palavrões. Se você ouvir essa linguagem indesejável escapar da boca de seu filho mais velho, não reaja de forma exagerada publicamente a ponto de envergonhá-lo só para passar a ideia de que não foi você quem ensinou aquilo para ele. “Peça-lhe para refletir sobre como se sentiria se fosse chamado por aquele nome”. É muito importante que exista um dia na semana ou mesmo no mês para que você crie um ambiente de interação dentro de casa. Onde vocês possam comer, brincar, dançar, cantar, assistir um filme e depois se sentarem e conversarem sobre e ensinar os temas complexos da vida, dentre eles o bullying que é a prática sistemática e repetitiva de violência física, psicológica, intimidação, humilhação, xingamentos e agressão de uma pessoa, ou de um grupo, contra outra pessoa. O bullying é um dos principais gatilhos que levam crianças e adolescentes á depressão e ao suicídio.

Tome cuidado ao criar seus filhos e faça isso para o bem e melhor deles, não para o seu. Ensiná-los a ser educados e respeitosos pode ser difícil e inconveniente, mas saiba que não importa como você escolha criá-los, os adultos que eles se tornarão sempre serão resultado direto de sua influência. Portanto, torne sua influência uma boa influência. Ensine seus filhos a serem respeitosos, mas ao mesmo tempo a se defenderem sem fazer mal aos outros. Isso vai melhorar muito a qualidade de sua vida e a deles.

Da redação de Portal Raízes. Editado a partir dos estudos da educadora parental, Laura Linn Knight. As informações contidas neste artigo são apenas para fins informativos. Se você gostou, curta, compartilhe com os amigos, e não se esqueça de comentar. Pois isto contribui para que continuemos trazendo conteúdos incríveis para você. Siga o Portal Raízes também no FacebookYoutube e Instagram.

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