A alcoolização tira mais vidas que Tuberculose, Aids e Violência juntos

Soraya Rodrigues de Aragão

O alcoolismo é um grave problema de saúde pública e esta doença começa apenas com um gole. Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 3,3 milhões de pessoas morrem no mundo, tendo como conseqüência o uso excessivo do álcool e mais de 200 doenças estão relacionados ao seu uso. De acordo com o CID-10, o alcoolismo é classificado como transtorno mental e comportamental causado pelo uso da droga. No Brasil, de acordo com o CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool),o consumo total estimado é equivalente a 8,7L por pessoa, quantidade esta superior à média mundial. Estima-se também que homens consumam 13,6L por ano, e as mulheres, 4,2L por ano.

Ainda de acordo com o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), quase 6% de todas as mortes no mundo são atribuídas, total ou parcialmente, ao consumo de álcool. Além destas informações estatísticas relevantes, a ONU (Organização das Nações Unidas) também se pronunciou advertindo que o álcool causa maior numero de óbitos que tuberculose, Aids e violência juntos.

Problemas pessoais e sociais causados pelo uso excessivo de álcool

O alcoolismo é uma doença crônica que traz prejuízos biopsicossociais. Em outras palavras, o álcool é uma droga depressora do Sistema Nervoso Central que traz consequências negativas não somente para aqueles que o consomem, interferindo na saúde pessoal e desestruturando suas relações interpessoais, tais como familiares e relações lavorativas, inclusive produzindo danos econômicos seja a nível individual que socioafetivo, devido aos gastos com a saúde e com problemas relativos a infrações de transito e violência de uma maneira geral, particularmente a violência doméstica. Todos estes fatores dificultam de uma certa forma a reinserção social do indivíduo, visto que, quem está sob o efeito da bebida, geralmente pode apresentar comportamento violento e/ou condutas inadequadas, as quais o usuário poderá se arrepender depois; no entanto, o indivíduo já perdeu um certo “crédito” diante da avaliação social de sua conduta, que é percebida como uma pessoa descontrolada, desequilibrada ou inconsequente.

O uso de álcool na adolescência: problemas pessoais e sociais

O uso de álcool geralmente inicia-se na adolescência, em momentos recreativos com o grupo de amigos, seja por descontração em festas ou para terem sentimentos de pertença, aceitação e socialização naquele grupo especifico. Adolescer não é um processo simples, nem fácil. Diante de sua complexidade, a adolescência é um período caracterizado por mudanças, sejam fisiológicas, hormonais, bioquímicas e comportamentais. Todas estas alterações se traduzem como uma necessidade de psico-socio-adaptação por parte do adolescente para o enfrentamento de um espaço que deixa de ser o infantil para adentrar em uma fase de novas experiencias, possibilidades e descobertas. O adolescente não é mais criança, mas também não é adulto. Sendo assim, é esperado que o pubescente, em face a tantas mudanças, apresente oscilações de humor, mudanças comportamentais, vulnerabilidade social e suscetibilidade a problemas emocionais.

Além disto, nesta fase da vida, os adolescentes encontram-se motivados a explorar o ambiente e por este motivo é necessário que a família esteja preparada para lidar com problemáticas que dizem respeito às drogas, sexo e comportamentos de risco de uma maneira geral. A principal ferramenta é o diálogo e por este motivo os pais devem procurar estar efetivamente e afetivamente próximos aos filhos, buscando informações sobre questões que norteiam o seu mundo e da companhia dos mesmos. Em outras palavras, procure perscrutar de uma maneira que não seja invasiva, mas não menos pontual, para compreender as dinâmicas do processo do adolescente, bem como do grupo e das companhias que este frequenta.

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Soraya Rodrigues de Aragão
Soraya Rodrigues de Aragão é psicóloga, psicotraumatologista, escritora e palestrante. Realizou seus estudos acadêmicos na Unifor e Università di Roma. Equivalência do curso de Psicologia na Itália resultando em Mestrado. Especializou-se em Psicotraumatologia pela A.R.P. de Milão. Especializanda em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde - Universidad San Jorge (Madri) e Sociedad Española de Medicina Psicosomática y Psicoterapia.   Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e membro da Sociedade Italiana de Neuropsicologia. Autora do livro Fechamento de Ciclo e Renascimento: este é o momento de renovar a sua vida. Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2016; e do Livro Digital: "Transtorno do Pânico: Sintomatologia, Diagnóstico, Tratamento, Prevenção e Psicoeducação. É autora do projeto "Consultoria Estratégica em Avaliação Emocional'.