“A covid-19 não está mais do outro lado do muro, ela já está no nosso quintal”

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Festa de casamento favoreceu surto que contaminou mais de 100 pessoas e a morte de 8. De acordo com informações veiculadas nesta segunda-feira, 21/09, no Bom Dia Brasil, A Organização Mundial de Saúde, alertou para os riscos da contaminação pelo novo coronavírus em grandes eventos. Foi exatamente o que aconteceu em uma festa de casamento no estado americano do Maine que ignorou as medidas de distanciamento social e mais de 100 pessoas foram contaminas e dentre elas, 8 pessoas perderam a vida. O evento foi em agosto, mas vírus ainda está se propagando. Uma festa de casamento foi igual a mais de 100 contaminados, um surto de morte num asilo, um surto de contaminação numa igreja e numa penitenciaria… e o vírus continua circulando.

O caso está chamando a atenção nos Estados Unidos porque o Maine é um estado que estava mantendo a pandemia relativamente sob controle, com menos de 5 mil casos confirmados. O casamento teve a presença de 65 pessoas, 15 a mais do que o permitido para eventos em ambientes fechados. Das sete mortes registradas até aqui, seis foram num asilo de idosos. As vítimas foram infectadas por um funcionário do local que mora na mesma casa de uma pessoa que foi ao casamento.

“A covid-19 não está mais do outro lado do muro, ela já está no nosso quintal”

“Os padrões que estamos observando nas últimas duas semanas nos mostram que as coisas estão piorando”, disse o médico Nirav Shah, chefe do departamento de saúde estadual de Maine. “A covid-19 não está mais do outro lado do muro, ela já está no nosso quintal”.

O especialista chamou atenção para como o vírus vem se espalhando: todas as mortes registradas até aqui foram em casos secundários de infecção, ou seja, pessoas contaminadas por quem esteve em contato com alguém que foi ao casamento, realizado em 7 de agosto. A última morte foi confirmada nesta quarta-feira (16/09).

As autoridades de saúde se concentram agora em confirmar se um surto numa igreja batista no estado, que infectou pelo menos outras dez pessoas, estaria também ligado à festa de casamento, à qual um pastor compareceu.

Há suspeitas, de acordo com informações do Bom Dia Brasil, de que os frequentadores da igreja não estariam respeitando as medidas de distanciamento social. O pastor que foi ao casamento, Todd Bell, é um crítico da política estadual de combate ao coronavírus.

O casamento também está relacionado a um surto em uma penitenciária do estado, provavelmente originado por um funcionário que esteve presente na festa. Os diversos focos de contaminação, segundo as autoridades, estão separados por centenas de quilômetros. Segundo um porta-voz do governo, investigações sugerem que “há múltiplos potenciais pontos de transmissão” ainda ativos relacionados ao casamento de 7 de agosto. A agência de saúde do estado trabalha para conter o avanço do vírus.

Brasil: A flexibilização do comércio não significa flexibilização da pandemia

No Brasil a flexibilização do comércio trouxe uma enxurrada de gente para as ruas: bares, praças, feiras, comércio, salões, igrejas… festas, encontros, aglomerações… como se de repente, uma força descomunal vinda de não sei onde, tivesse mandado o vírus desaparecer.  As pessoas não entendem o que é tão evidente: flexibilização do comércio não significa flexibilização da pandemia. O comércio abre, mas não é para passeio, é para fazer suas compras indispensáveis e depois voltar para casa.

Na coluna Drauzio Varella, da UOL, o médico diz que, com a flexibilização do comércio é comum pensar que o perigo já passou. Mas ele garante que não é bem assim.

“Vamos entender uma coisa: a flexibilização do comércio se dá por fins econômicos e políticos. Existe uma pressão da sociedade e de empresários para que as lojas sejam abertas e os outros serviços essenciais funcionem o quanto antes”.

Ele observa ainda que apesar dos avanços nos testes e pesquisas, tantos com medicamentos quanto com vacinas para Covid, o vírus não foi embora de uma hora pra outra, então o que nos resta é “diminuir o contato social, evitar aglomerações e só sair de casa quando for muito necessário. Nós não podemos flexibilizar essas ações neste momento, muito menos as medidas de prevenção que vocês conhecem muito bem”.

Em suma, ele reflete: “Por mais que se tenha tornado cada vez mais comum ver um monte de gente nas ruas, nos bares e restaurantes, ainda estamos em perigo. Se você precisar sair, se precisar mesmo, saia sempre de máscara. Mas se puder, continue em casa. Nada de festas, por enquanto, não tá na hora. Vamos usar o bom senso. Eu sei que todo mundo já tá cansado disso, mas é pro bem de todos. Seguimos juntos”.

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