“Você senta-se numa cadeira em determinada sala, sai de lá e depois retorna. Se alguém se sentou no lugar em que você anteriormente se sentara você estranha. ‘Pegou o meu lugar’. Já se cria uma zona de conforto numa cadeira que não lhe pertence, num espaço que não lhe pertence.

Eu acho que os homens são ainda mais inclinados à zona de conforto. Homens, para serem felizes, precisam de televisão e comida. Tendo essas duas coisas, eles vão às bodas de ouro facilmente. São as mulheres que querem carinho, afeto, discussão, relação etc. Os homens precisam de comida e de televisão porque eles são capazes de possuir uma zona cerebral vazia que é única, que não pensa em nada.

Já foi dito que a diferença entre o cérebro feminino e masculino é que o feminino é uma caixa única de onde, ao puxar alguma coisa, vem junto tudo (absolutamente tudo). E o cérebro masculino está dividido em caixas que separam, por exemplo, afeto de sexo, mas, acima de tudo, há uma caixa vazia que permite ao homem pescar, por exemplo. Pescar é o exercício do vazio absoluto.

Quando as mulheres perguntam ‘Em que você está pensando?’ e os homens respondem ‘Nada’, é verdade. Os homens têm certo potencial de vazio enquanto todas as mulheres que conheci estão pensando o tempo todo. São cabeças sempre em atividade. O vazio é masculino (tem relação, eu acho, com a testosterona) ou, como diria minha avó, os homens têm duas cabeças, mas sangue só enche uma delas de cada vez. Quando enche uma, a outra entra em colapso, o que explica muita coisa”.

Excerto de uma palestra com o professor Leandro Karnal. Assista abaixo.

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