Precisamos ter empatia e sabedoria para diferenciarmos o vitimista manipulador do vitimista crônico. Empatia porque ambos causam sofrimento. O primeiro aos outros, o segundo a si mesmo. Entenda:

A pesquisadora Sonja Lyubomirsky em seu livro The myths of happiness (O mito da felicidade), afirma que há pessoas que são cronicamente infelizes. Sua tese é reforçada por muitos estudiosos e dentre eles Tal Ben-Shahar (capa), doutor em Psicologia e Filosofia pela universidade de Harvard e especialista em ciência da felicidade. Ben-Shahar afirma em seus estudos que 50% da felicidade depende da genética.

Sendo assim, precisamos muito da empatia para compreender e aceitar que algumas pessoas nunca se sentirão ‘de bem com vida’, mesmo que tudo dê certo para elas. E a culpa não é delas, é química. Dessa forma, acontece de mesmo num dia feliz a pessoa se sinta infeliz de alguma maneira, injustiçada de alguma maneira, sofrendo muitíssimo de alguma maneira e se colocando no papel vítima.

Estas pessoas são as vitimistas crônicas. E embora o vitimismo crônico não seja uma patologia, pode se transformar em um transtorno paranoico quando a pessoa insiste em culpar sempre os demais pelos males que sofre. Esta forma de enfrentar a vida, conduz a uma visão pessimista da realidade. Isto produz mal estar tanto na pessoa que se queixa como a quem recebe a carga de culpa. Os vitimitas crônicos precisam de ajuda profissional para aprenderem a lidar com sua forma exageradamente sofrida de aceitar o mundo.

Características de vitimistas crônicos

Deformam sempre a realidade: O vitimista crônico tem uma visão deturpada da realidade e acredita que tanto as coisas positivas como as negativas que acontecem na sua vida não dependem diretamente da sua vontade, sim das circunstâncias externas. Ademais, o vitimista crônico super dimensiona os aspectos negativos, desenvolvendo um pessimismo exacerbado que o leva a se concentrar somente nas coisas negativas que lhe acontece. Os aspectos positivos têm importância menor para ele.

Encontram consolo no lamento

Creem que são vítimas dos outros e das circunstâncias. Por isso não se sentem culpadas nem responsáveis por nada que lhe acontece. Como resultado, o que lhe resta é se lamentar. Na verdade, só encontram prazer quando se queixam porque é quando assumem melhor o papel de “pobres vítimas”. Pensam que este agir é o único meio de chamar a atenção dos demais. Elas não pedem ajuda para resolver seus problemas, somente se lamentam. Suas desditas se transformam em ferramenta para encontrar a compaixão e o protagonismo.

Acreditam que os outros sempre agem de má fé

Desenvolve uma atitude receosa e acreditam que os outros sempre agem de má fé. Por isso geralmente têm uma ânsia quase mórbida para revelar os mínimos agravos. Por este ângulo se sente descriminado e maltratado. É este o seu principal objetivo, o papel de vítima. Assim, terminam por desenvolver uma hipersensibilidade. E se especializam em formar tempestade em copo d’água.

Reconhecendo um vitimista manipulador

“O vitimismo é uma espécie de manipulação, uma estratégia psicológica emocionalmente prejudicial, usada por pessoas que são incapazes de pedir o que querem e precisam culpabilizar o outro para obter êxito”, diz Sharie Stines, uma terapeuta da Califórnia especializada em abuso e relacionamentos tóxicos.

Existem muitos vitimistas crônicos diferentes: desde um vendedor insistente até um parceiro emocionalmente abusivo – e alguns comportamentos são mais fáceis de detectar do que outros. Listamos alguns aqui. Confira:

O Discurso do vitimista

Basicamente, o discurso desta pessoa é no sentido de desclassificar os argumentos de seu adversário. Na realidade, não faz afirmações com argumentos muito claros. Mas o direciona para que a outra pessoa assuma sem se dar conta.

Como ele faz? Simplesmente assume o papel de vítima em uma discussão. De forma que a outra pessoa caia na rede como alguém autoritário, pouco simpático e até agressivo. Nesta estratégia o foco, em lugar de refutar as afirmações, é mostrar que o outro é um extremista nervoso e radical. Desta maneira, qualquer argumento do seu adversário será mais uma demonstração de sua má fé. Por exemplo, se uma pessoa se atreve a contradizer a afirmação com argumento irrefutável ou com base em estatísticas de fontes confiáveis, a vítima não lhe responderá com fatos, mas dirá algo assim: “Sempre me ofende, agora diz que sou mentiroso”. Ou “Só você se acha com a razão”.

Retirada vitimista

Em alguns casos a retórica do vitimista manipulador será de fugir à sua responsabilidade. E, assim, evitar em ter que se desculpar ou reconhecer o seu erro. Por isso, tentará fugir de qualquer situação que a coloque em desvantagem. Para isso sua estratégia é desprestigiar com ironia o argumento do outro, nunca reconhecer que estava errado.

E daí, como ele faz? Uma vez mais assume o papel de vítima. Joga com os dados do seu gênio e os manipula à sua conveniência com o objetivo de semear a dúvida. Basicamente, esta pessoa transferirá seus erros ao outro.

Outro exemplo: se alguém responde com um dado comprovado, que nega afirmação anterior da vítima, mesmo assim a vítima não reconhecerá o seu erro. Em todo caso, tentará uma retirada e dirá algo assim: “Este fato não nega o que o que eu falei. Por favor, não faça mais confusão”.  Ou: “Não tem educação, é inútil discutir com você porque não enxerga a lógica dos fatos”. Quando na realidade quem está confuso é ele mesmo.

Manipulação Emocional

Uma das estratégias preferidas dos vitimistas manipuladores é a chantagem emocional. Quando esta pessoa conhece bem o seu interlocutor, não deixará de lançar mão da chantagem emocional para colocar o painel a seu favor. O vitimista manipulador é muito hábil para reconhecer outras emoções, por isso utilizam qualquer dúvida ou culpa do outro em seu benefício.

Descobre um ponto falho em seu adversário e explora a empatia que este pode sentir. Desta forma termina envolvendo o outro em sua teia de aranha para que este assuma o papel de mau. Enquanto o outro cai, o vitimista manipulador volta ao seu papel de vítima e assim pode se lamentar como gosta de fazer.

Por exemplo, uma mãe que não quer reconhecer seus erros põe a culpa no filho dizendo coisas do tipo: “Com tudo que fiz por você, é assim que me paga?”. Este tipo de manipulação também é muito comum nas relações do casal, entre amigos, inclusive no trabalho.

Como lidar com um vitimista manipulador?

O primeiro passo é compreender que está diante de uma pessoa que faz o papel de vítima propositalmente. Logo, deve resistir ao embate e não deixar que lhe envolva no jogo dela. Lembre-se que o mais importante é que esta pessoa não lhe tire a calma descarregando em você as suas doses de negatividade. Sobretudo, não deixe que ela lhe faça se sentir culpado. Você pode verbalizar o seu desconforto e exigir que a pessoa pare com aquela atitude e se afastar dela em definitivo por seu amor próprio ou você pode, por seu amor próprio, se afastar em silêncio. Você tem todo direito de tirar da sua vida pessoas que lhe fazem o mal deliberadamente.

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