Ex-reitor do Santuário Basílica de Trindade (GO) e investigado por supostos desvios de dinheiro proveniente da doação de fiéis, o padre Robson de Oliveira Pereira, de 47 anos, admitiu, em áudio, que participava de esquema para burlar contratos e sabia do risco de ser preso pela polícia.

Padre Robson investigado na Operação Vendilhões, que cumpriu mandados de busca e apreensão em agosto de 2020, para apurar crimes como lavagem de dinheiro, apropriação indébita e falsidade ideológica nas “Afipes”, associações criadas por padre Robson e que movimentaram em torno de R$ 2 bilhões em dez anos. De acordo com a investigação, os valores deveriam ter sido usados na construção da nova Basílica de Trindade. Porém, foram usados, entre outros fins, para a compra de fazendas, um avião e uma casa de praia.

No encontro, padre Robson e sua equipe reconhecem que, futuramente, os contratos poderiam ser alvo de investigação, inclusive porque poderia haver dificuldades para explicar a relação da associação com negócios e investimentos imobiliários:

“Ô, gente. O meu medo nessas coisas aí chama-se… apuração dos fatos. Quando for apurar fatos, olhando nossa contabilidade, olhando nossa contabilidade do Júnior, do Gleison, vão ver que eles deram outra destinação aos valores, que não bate com datas e nem com nenhum tipo de… não tem jeito, gente”, diz o padre.

A conversa também mostra que o religioso já suspeitava de ser alvo de uma operação policial e que ele poderia ir parar na prisão.

“Ô, gente. Lá no inquérito policial, basta eu apresentar um contrato de parceria contratual”. […] “Eu estou dizendo é o seguinte. Eu não posso ter isso aqui no meu computador. Eu troco a placa desse ‘trem’ aqui loguinho”. […] “Contrato feito e tudo mais, né, gente? Eu estou enfiando a Afipe em um problema sério”, afirma padre Robson.

A reunião durou quase uma hora, segundo a reportagem. Durante o encontro, uma das pessoas diz ter lido o resultado da possível investigação.

Padre Robson: “Deixa um delegado meio doido começar a fazer pergunta pesada. Aí, gente, eu vou falar para vocês uma coisa. Isso aí é crime organizado”. Klaus Marques: “É crime organizado, e o senhor é o chefe”. Padre Robson: “E eu sou o chefe da quadrilha”.

A gravação, registrada pelo próprio padre Robson durante reunião com advogados, foi divulgada pelo Jornal da Record, na quarta-feira (24/11). O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) apreendeu o material. Ouça o áudio na íntegra e logo abaixo mais informações.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda analisa novo pedido de prisão preventiva contra o religioso e mais quatro pessoas, por corrupção ativa. A solicitação foi apresentada pela Polícia Federal (PF) na última quarta-feira (17/11), seis meses depois de a Corte ter suspendido uma investigação criminal contra o padre.

Durante a reunião, conforme mostrou a reportagem, o padre e a equipe jurídica discutem estratégias para tentar camuflar a ilegalidade de contratos de compras feitas em nome de terceiros pela Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), presidida pelo religioso até ele ser afastado da instituição, após o MPGO deflagrar a Operação Vendilhões, em agosto de 2020.

Padre é investigado por suposto desvio de dinheiro proveniente da doação de fiéis, as quantias eram entregues à Afipe. A entidade, até então presidida pelo padre, era responsável por administrar cerca de R$ 2 bilhões recebidos para a construção do novo Santuário Basílica de Trindade, segundo o MPGO.

No entanto, o dinheiro foi usado para possíveis aplicações financeiras, além de compras de fazenda e imóveis de luxo. Apesar da investigação, o STJ manteve trancados, em maio, o inquérito policial e a ação criminal contra o padre.

O religioso segue afastado das funções na igreja. O processo que investigava padre Robson e o desvio da Afipe foi interrompido por decisão judicial, mas o Ministério Público recorreu ao Superior Tribunal de Justiça. As informações são do G1

Veja vídeo reportagem:

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