A modelo Gisele Bündchen encolhida no sofá

Para quando você estiver cansado de tudo e de todos

Clara Dawn

Todos nós, as vezes, nos sentimos cansados em todos os sentidos da vida: físico, mental, emocional. Nenhum lugar é bom o bastante, nenhum momento desperta felicidade capaz de amenizar o nosso vazio interior e a gente passa a viver sorrindo por fora e com um sentimento de “sei lá o quê” por dentro. Nos sentimos cansados de pessoas também: das pegajosas, das falantes, das dissimuladas , das mentirosas, das chatas e até das boazinhas demais.

A fase da caixinha

Você talvez não saiba ou ainda não tenha pensado a respeito de o nosso cérebro, é um “computador” que de tempos em tempos faz o seu backup (sua cópia de segurança) com o intuito de fazer uma atualização de todos os seus programas operacionais. Nesse momento ele não fará uma varredura para deletar o conteúdo irrelevante e/ou deletar vírus, ele só fará sua cópia de segurança: tudo, tudo mesmo, será amontoado numa caixa diminuta demais para tanto. Assim, tudo que você é, sente, pensa e realiza, vai se amontoar nessa caixinha.

O livro “O cérebro que se transforma” de Norman Doidge, psiquiatra, psicanalista e pesquisador do Columbia University Center for Psychoanalytic Training, mostra a mais recente novidade em relação ao cérebro humano, que ele se modifica sem o uso de cirurgias ou medicamentos, ou seja, o cérebro se automodifica: é um órgão plástico, vivo e pode de fato transformar as suas próprias estruturas e funções, mesmo em idades avançadas.

Cansados de tudo e de todos

Segundo Norman Doidge, as autotransformações do cérebro fazem-nos compreender como os sentimentos, o sexo – ou a falta dele, as frustrações, os relacionamentos, o aprendizado, os vícios, a cultura, as tecnologias, as vozes – ou o silêncio, as influências externas, a fenomenologia social… são capazes de deixar-nos cansados de tudo e de todos.

Norman Doidge destaca ainda que a automodificação, a mesma que faz toda a bagunça entre discurso, ação e sentimentos, deixando-nos vulneráveis e à mercê do cansaço integral; também é ela que provê avançados recursos capazes de ressignificar nossas vidas.

A palavra é “Ressignificar”

Ressifnificar, segundo o dicionário online,  é a ação de atribuir um novo significado a algo ou alguém. Lembra que falamos que no instante em que o cérebro faz o seu backup, ele não faz uma varredura nas coisas irrelevantes e ruins, ele coloca tudo dentro da caixinha e por isso que a gente fica confuso, sem ação e com tédio de todas as coisas e até das pessoas?

A primeira coisa que você deve pensar quando se encontrar nessa situação é de que é uma fase e você precisa vivenciá-la com responsabilidade. Vivenciá-la, não ignorá-las, não fugir dela, não depreciar-se, não com autopiedade ou vitimização; vivenciá-la, como disse, com responsabilidade e a decisão de quem sabe que tudo na vida é obra de um momento; que existir é um processo mental doloroso e que jamais se deve julgar o comportamento de alguém por não saber em qual momento de transformação o seu cérebro está passando: todos têm o seu “autoprazo” para agir ou desistir.

Como fazer a varredura mental

Martin Seligman, em seu livro Otimismo Aprendido, sugere exercícios mentais para tornar o  dia a dia positivo, vivaz e, especialmente, bem humorado: uma vez que também, o humor é o traço mais visível quando se trata de revelar se alguém está feliz ou não.

O exercício é baseado em ressignificar sentimentos, fatos, palavras e pensamentos, de forma que consigamos entender os acontecimentos de uma maneira menos auto-defletiva, auto-punitiva e estigmatizante. É um exercício focado em aumentar e desenvolver a capacidade de resiliência e sobretudo da vontade de viver.

Um dos elementos chave da pessoa resiliente é a habilidade de desenvolver novas perspectivas para interpretar os acontecimentos negativos e dar a eles um novo significado ou sentido.

Os exercícios mentais – nesses instantes em nos encontramos cansados de tudo e de todos – são:

Primeiro: silêncio e solidão afim de fazer a varredura nos assuntos e sentimentos irrelevantes. Nesse exercício é permitido expor e verbalizar o que pensa e sente – fale consigo mesmo – com o Seu Poder Superior – diga tudo, chore e até xingue se sentir vontade, mas depois siga para o exercício seguinte. Não se deve jamais estacionar nesse primeiro exercício,  lembre-se, é uma fase a ser vivenciada com responsabilidade.

Segundo: exaustão física e água. Isso mesmo, tome muita água e permita que o seu corpo alcance uma especie de exaustão: caminhar rápido, correr, malhar, lutar, dançar… não importa, a exaustão física e a hidratação – unidas assim – são fontes incontestes de saúdes físicas, mentais e emocionais – por várias razões químicas/físicas que não focaremos neste artigo.

Terceiro: a prática diária da serenidade, do pensamento positivo. Na medida em que focamos mais nas avaliações positivas das situações podemos perceber e sentir que temos algum controle sobre nós e nossa resiliência aumenta. Portanto, mesmo se o seu estilo hoje é ser um pensador pessimista, sugiro a prática da serenidade como uma habilidade para um estilo vida otimista, tolerante, vivaz e energético. Relembrando sempre da transitória circunstancial dos momentos e da automodificação de seu cérebro.

 

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Clara Dawn
Clara Dawn é romancista, psicoterapeuta; palestrante com o tema: "Prevenção aos transtornos mentais e ao suicídio na adolescência". É editora chefe no Portal Raízes (portalraizes.com), colunista aos sábados no Jornal Diário da Manhã em Goiânia, Goiás, desde 2009. É autora de 7 livros publicados, dentre eles, o romance "O Cortador de Hóstias", obra que tem como tema principal a pedofilia. Clara Dawn inclina sua narrativa à temas de relevância social. O racismo, a discriminação, a pedofilia, os conflitos existenciais e os emocionais estão sempre enlaçados em sua peculiar verve poética. Você encontra textos de Clara Dawn em claradawn.com; portalraizes.com, jornal Diário da Manhã/Goiânia ou pesquisando no Google. Seus livros não são vendidos em livrarias. Pedidos pelo email: [email protected]