No livro: “Como ter uma criança melhor comportada desde o nascimento até os dez anos”, o escritor e pediatra estadunidense William Penton Sears, afirma que muitos pais/mães/tutores usam a Bíblia como desculpa para bater nos seus filhos. Elas acreditam que Deus as ordena a disciplinar seus filhos com vara (bater). Elas levam ao pé da letra versos como: “A tolice está ligada ao coração de uma criança, mas a vara da disciplina a afastará dela”. Entretanto, em nossa experiência de aconselhamento parental, descobrimos que essas pessoas são pais dedicados que amam a Deus e amam seus filhos, mas não entendem o verdadeiro significado o conceito da vara, inserido na Bíblia.
O autor, diante de sua visão, faz análises de versículos bíblicos que são mal interpretados. Extraímos alguns excertos. Confira:
À primeira vista, esses versos podem soar a favor da surra. Mas olha o que o verso 4 do Salmo 23 diz: “A tua vara e o teu cajado me consolam”. Este verso deixa bem evidente que a ‘vara’ no sentindo bíblico jamais poderia ser algo que causasse dor. O dicionário hebraico dá a esta palavra vários significados: uma vara no contextos bíblico quer dizer: escrita, luta, governo, caminhada…
Embora uma vara também pudesse ser usada para bater, era normalmente usada para guiar ovelhas errantes. Os pastores não usavam a vara para bater nas ovelhas – e as crianças certamente são mais valiosas do que as ovelhas. O pastor usa a vara para combater um predador e o para guiar suavemente as ovelhas pelo caminho certo.
As famílias judias, que seguem cuidadosamente as orientações bíblicas, não praticam a “correção da vara” com seus filhos, porque eles têm uma interpretação não literal das escrituras, mas sim, metafórica, poética, política e filosófica.
Acreditamos que estes são os pontos reflexivos sobre a vara na Bíblia: os pais tomarem conta de seus filhos, conduzindo-os com paciência e amorosidade pelo caminho que os conduzirá á vida adulta. Quando você reler os versos bíblicos, onde houver a palavra ‘vara, ao invés do conceito de surra, substitua-a por: pedagogia do amor, validão dos sentimentos da criança, escuta, diálogo, construção sadia e em comum acordo das regras que regem a casa.
Cristãos e judeus acreditam que o Antigo Testamento seja a palavra de Deus. E no AT a palavra “vara” está carregada de interpretações sobre castigos corporais. Outras partes da Bíblia, especialmente o Novo Testamento, sugerem que o respeito, a autoridade e a ternura devem ser as atitudes predominantes em relação às crianças entre as pessoas de fé.
No Novo Testamento, Cristo modificou o sistema tradicional de justiça olho por olho com Sua abordagem de dar a outra face. Cristo pregou gentileza, amor e compreensão, e parecia contra qualquer uso severo da vara, conforme declarado por Paulo em 1 Coríntios. 4:21: “Devo ir até você com o chicote (vara), ou com amor e com um espírito manso?”. Paulo passou a ensinar os pais sobre a importância de não provocar raiva em seus filhos (que é o que a palmada geralmente faz): “Pais, não irritem seus filhos” (Efésios 6:4), e “Pais, não amargurem seus filhos, ou eles ficarão desanimados” (Colossenses 3:21).
Em nossa opinião, em nenhum lugar na Bíblia diz que você deve bater em seu filho.
Da redação de Portal Raízes a partir dos estudos de O Livro da Disciplina: Como ter uma criança melhor comportada desde o nascimento até os dez anos – Do escritor e pediatra estadunidense William Penton Sears.
A medicalização da infância se tornou um dos temas mais inquietantes da contemporaneidade. Em um…
Vivemos em um tempo de convivência rarefeita. As casas continuam habitadas, mas os encontros diminuíram.…
Nesta primeira semana do Big Brother Brasil 26, um episódio ultrapassou a lógica do conflito…
Nos últimos meses, uma série de reportagens publicadas na imprensa nacional e internacional tem acendido…
Desde os primeiros dias de vida, antes mesmo da palavra e da memória narrativa, o…
Desde que as primeiras civilizações humanas criaram normas sociais rígidas baseadas em gênero, o machismo…