Sidney Klajner, Presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein - Foto extraída de vídeo

O atual cenário da pandemia do novo coronavírus no Brasil, sugere que se  esgotar as vagas nos leitos dos hospitais privados, e os ricos tenham que ver seus entes queridos em leitos do SUS,  é possível que as vacinas se tornem uma realidade para todos.

Em entrevista ao NeoFeed, Sidney Klajner presidente do Hospital Albert Einstein em São Paulo, fala sobre o que mudou com essa segunda onda mais forte, o aumento do nível de transmissão causado pela nova cepa de covid-19, a preocupação com o aumento no número de casos e também reflete sobre a mudança de comportamento da população no fim do ano passado, quando as pessoas começaram a relaxar.

Extraímos alguns excertos da entrevista. Confira:

“O caos está presente de novo, de uma maneira muito mais real do que foi na primeira onda. Mas também com uma expertise de quem lida com isso um pouco melhor, no sentido de saber quem deve estar internado e em que momento isso tem de acontecer. Temos um pouco de domínio, principalmente, sabendo aquilo que não funciona, que está documentado e demonstrado apesar de algumas lideranças insistirem em tratamento precoce”, disse.

Klajner, não deixou de dar o seu recado aos governantes. “Há a falta de uma liderança única, em que a população confie de maneira adequada. Como muitas lideranças estão falando de maneira diferente, você acaba escolhendo aquilo que melhor lhe aprouver para seguir”, disse.

“No início da pandemia, uma pessoa contaminava três outras, agora uma, contamina dez”

“O que tem comprovação de trabalhos mais controlados é que a transmissibilidade dessa nova cepa é muito maior. Três ou quatro vezes mais. No início da pandemia, uma pessoa contaminava três outras, agora uma contamina dez. Agora, não dá para afirmar que letalidade é maior e nem que acomete pessoas mais jovens. Na verdade, quem está se aglomerando e fazendo festa são os jovens. Estatisticamente, você vai ver mais jovens internados”.

“A única salvação nossa de tratamento é vacina”

“O brasileiro, de uma hora para outra, no fim do segundo semestre do ano passado, desencanou da pandemia como se ela não existisse mais. Passaram a ignorar e ter uma convivência normal a ponto de marcar reuniões e festividades. É uma doença de transmissão aérea. A única salvação nossa de tratamento é vacina”.

“Brasil está acima de 80% de ocupação de leitos. Outra medida é a adoção da máscara, tem um impacto brutal. Usar a máscara, evitar festas, eventos. As torcidas receberam os times campeões da Libertadores e do Brasileiro como se não tivesse pandemia. Isso é fruto de uma liderança dúbia ou tripla onde cada um coloca aquilo que é mais importante. O que é mais recomendado hoje é máscara, higienização e distanciamento e lockdown. A Europa está mostrando isso”.

Os ricos viraram as costas para a pandemia, eles não se ligaram

“Não é que não se ligou, às vezes não vê com tanta importância porque sabem que têm por trás uma instituição para cuidar. Tem o cansaço, a falta do entendimento, a colocação da manutenção da economia como algo prioritário, não antevendo que essa é uma crise de saúde e, se morrermos, não teremos economia”.

Se as pessoas tinham essa segurança de contar com o atendimento de uma instituição, no cenário atual, com a iminência de hospitais privados estarem 100% ocupados, essas pessoas tomarão mais consciência de que pode faltar atendimento?

“O que aconteceu no Rio Grande do Sul, de atingir 100%, de hospitais de altíssima qualidade fecharem suas portas para pacientes que chegam de ambulância, talvez seja um alerta. Isso pode acontecer aqui do lado”.

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