“O insulto é um veneno que só funciona se você beber”

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Quando você se conhece ninguém te ofende, ninguém te ataca

“O que eu estou fazendo de mim? Esta é a vida que estou querendo levar? Com as pessoas que eu quero? A vida é muito curta. É muito rápida, é muito passageira […] para perder tempo numa existência medíocre, numa existência pequena, numa existência fraca. A vida é muito curta para que eu tenha uma família que eu não ame, para que eu tenha um emprego que eu não goste, para que eu tenha um trabalho que eu não me dedique. Ela é muito curta para eu ser medíocre. É muito pouco tempo para isso. Pergunte o que estamos fazendo de nós mesmos, e sigam o conselho de Sócrates,[…] ‘conheça a ti mesmo’. Conhecimento de si. Sigam esse conselho. Sigam essa ideia de saber quem vocês são. Se eu me conhecer ninguém me ofende. Se eu me conhecer ninguém me ataca”.

O que os outros dizem de você fala apenas deles, não de você

“O insulto é um ataque só funciona se eu aceitar, se eu concordar […] e tiver problemas com essa questão. Ora, vamos analisar um pouquinho melhor. Os portugueses têm um ditado que está em Antero de Quental: o insulto é um veneno que só funciona se você beber. Eu preciso concordar e beber o veneno. Se não, ele não vai funcionar. As pessoas se ‘matam’ na rua e discutem porque no fundo elas concordam com o insulto.

[…] Não é o outro que está me insultando, sou eu. […] Você será o que a sua cabeça determinar. Eu seria livre dentro de uma casca de noz se a minha cabeça permitisse. ‘Eu teria o universo infinito’ – diz Hamlet – ‘se minha cabeça permitisse, mas eu tenho esses fatores na cabeça’, ele disse. […]  De novo o que parece estar dizendo Hamlet , na sua consciência moderna é, ‘eu sou o que eu sou, o que os outros disserem de mim, diz respeito a eles’. A crítica alheia é sempre crítica de si, sem exceção, mesmo quando verdadeira. O que os outros dizem de mim fala apenas deles, não de mim, mesmo que seja uma crítica verdadeira. Mesmo que ao me corrigir, alguém esteja correto, a pessoa está falando dela. Quando nós criticamos alguém (devemos evitar fazer isso), estamos colocando em público a nossa dor. Nós devíamos ser vaidosos e evitar isso”.

Esta é uma transcrição feita pela equipe do Portal Raízes de alguns trechos de palestras do professor Leandro Karnal. O primeiro bloco foi extraído da palestra na HINODE Fest 2017 – O segundo bloco foi extraído da palestra de Leandro Karnal ao 8º Ciclo do Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council – trecho publicado no Canal Provocações Filosóficas.

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