“Podemos sentir um profundo apego por uma pessoa, ter um amor romântico alucinado por outra, e depois  sentir um impulso sexual que não tem nada a ver com nenhum deles. Também podemos sentir tudo isso pela mesma pessoa”. Afirma a pesquisadora, antropóloga biológica da Universidade Rutgers, Helen Fisher e nos responde as questões: Por que nos apaixonamos loucamente por uma pessoa e não por outra? Por que temos uma necessidade muito real, e muito física, de amor romântico? Entenda:

Os pesquisadores identificaram três sistemas cerebrais que atuam no acasalamento e na reprodução. O primeiro é o desejo sexual, mediado principalmente pelo hormônio sexual testosterona. O segundo é o amor romântico – mediado principalmente pela dopamina, um neurotransmissor que aciona os centros de prazer e recompensa do cérebro –, que se caracteriza pelo desejo e foco em só uma pessoa de cada vez. E, por fim, o apego, mediado pelos hormônios oxitocina e vasopressina, que está associado à ligação e à segurança que, com frequência, se sente com um parceiro de longa data.

Esses sistemas variam de pessoa para pessoa e podem funcionar juntos ou em toda sorte de combinações, diz a pesquisadora Helen Fisher(capa), antropóloga biológica da Universidade Rutgers e autora de “Por que Amamos”, e afirma:

“Podemos sentir um profundo apego por uma pessoa, ter um amor romântico alucinado por outra, e depois  sentir um impulso sexual que não tem nada a ver com nenhum daqueles. Também podemos sentir tudo isso pela mesma pessoa”.

Helen acrescenta que a interação desses sistemas cerebrais, junto com o neurotransmissor serotonina, provoca as variações de temperamento que ajudam a explicar por que entramos numa sala abarrotada de gente e nos apaixonamos loucamente por uma pessoa e não por outra. Entretanto, resta ver o tamanho do papel que os neuroquímicos e circuitos cerebrais jogam no amor e nos relacionamentos.

Os pesquisadores sugerem que, embora seja normal que a paixão existente no início de um romance definhe, é também possível que o amor profundo persista.

Um estudo publicado em 2011 no Social Cognitive and Affective Neuroscience revelou que casais que estavam casados por uma média de 20 anos e ainda se amavam intensamente exibiam a mesma atividade cerebral, mesmo no sistema de recompensa rico em dopamina, que os que acabaram de se apaixonar.

Mas também havia uma diferença importante: só os que estavam nos primeiros estágios do romance exibiam atividade em uma região do cérebro associada à ansiedade, ao passo que casais de longa data mostraram atividade cerebral ligada à calma.

“Isso faz sentido. Uma pessoa quando acaba de se apaixonar fica muito ansiosa: será que ele vai telefonar? Estarei gorda demais? Por que foi que eu disse aquilo? Mas quando a pessoa está amando outra com quem teve filhos e está casada há 20 anos, ela não fica ansiosa, mas ainda pode voltar do trabalho para casa, compartilhar a noite, fazer amor e conviver com a outra”, afirma Helen, coautora do trabalho. “De modo que o amor pode mesmo ser duradouro, e descobrimos isso no cérebro”.

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