Segundo uma pesquisa da Ipsos as avós estão cada vez mais cuidando dos netos para que os filhos possam trabalhar, devido o alto custo dos cuidados infantis e/ou porque também dependem financeiramente dos filhos. Cerca de 1,9 milhão de avós disseram que cortaram horas de trabalho, desistiram de um emprego ou tiraram licença anual para cuidar de um neto em algum momento de suas vidas. Ocorre que essa nova onda de avós que abdicam de suas vidas para cuidarem de netos, está deixando-as com baixa qualidade de saúde física, mental, emocional e social. É o que os especialistas têm chamado de Síndrome da Avó Escrava.

A Síndrome da Avó Escrava prevalece em mulheres acima de 50 anos  que dividem o papel de avó e mãe de seus netos. Os fatores associados a esta grave síndrome são físicos e psicoemocionais. Os sinais típicos desta síndrome são de grande variabilidade e principalmente físicos (hipertensão, diabetes, obesidade, distúrbios intestinais…) e psíquicos (sentimento de culpa, tristeza, desânimo, depressão, ansiedade e até ideação suicida).

Um estudo feito pela revista americana O Gerontólogo abordou o bem-estar de avós que criam netos em famílias coparentais e de custódia em uma amostra de avós afro-americanas, latinas e brancas.

Na amostra, 1.058 avós foram recrutadas nas escolas e na mídia. Avós que criam ou ajudam a criar netos em idade escolar. O estudo descobriu que a lente cultural através da qual a avó é vista tem um impacto marcante na adaptação das estruturas familiares e sugere que os avós que assumem o cuidado dos netos tendem a ter desafios que produzem níveis elevados de estresse.  E níveis elevados e prolongados de stress geram intenso sofrimento psicológico. Por isso as avós têm se sentindo, de um modo geral, escravizadas, não reconhecidas, não respeitadas, não valorizadas.

Em resumo, não se deve confundir as notícias que enfatizam que o convívio com os netos aumenta a expectativa de vida dos idosos, com “cuidar” de netos. Conviver é parceria de amizade e alegria, cuidar é se responsabilizar por todo o trabalho e educação dos netos. E isso não é justo com as avós. Elas já criaram os seus próprios filhos.

RECOMENDAMOS






As publicações do Portal Raízes são selecionadas com base no conhecimento empírico social e cientifico, e nos traços definidores da cultura e do comportamento psicossocial dos diferentes povos do mundo, especialmente os de língua portuguesa. Nossa missão é, acima de tudo, despertar o interesse e a reflexão sobre a fenomenologia social humana, bem como os seus conflitos interiores e exteriores. A marca Raízes Jornalismo Cultural foi fundada em maio de 2008 pelo jornalista Doracino Naves (17/01/1949 * 27/02/2017) e a romancista Clara Dawn.