by kikyaloops

Ficar na bolha com os monstros conhecidos é fácil, mas é preciso sair e enfrentar novos demônios

Os livros que você lê e a rotina do seu dia-a-dia; a comida que você faz todas as semanas; o seu cronograma da academia; a rota que você faz para o seu trabalho; a sua lanchonete favorita onde você  se senta para escrever às segundas… Sim, todas essas coisas e muitas outras formam a sua bolha de autodefesa para novos experimentos.

Sua bolha é a rede de segurança na qual você se cerca todos os dias. São as rotinas e cronogramas que fazem a sua vida permanecer ‘estável’. E sim, sua bolha é também os tijolos da sua felicidade e até mesmo da sua criatividade. Mas também é uma parede que separa a mediocridade e a grandeza, e que vai ficando cada vez mais difícil a medida que você vai edificando essa parede em torno de sua bolha.

Como diz o autor japonês, Haruki Murakami:

“Se você lê apenas livros que todos os outros estão lendo, você apenas poderá pensar o que os outros estão pensando”.

Você já tentou ser mais interessante? 

Existe uma ótima história sobre um romancista americano, Barry Hannah, que ilustra exatamente a razão para deixarmos a segurança de nossa bolha: Hannah, disse – sobre história de uma estudante – a crítica, “Isso simplesmente não é interessante”. E a estudante lhe perguntou: “O que posso fazer para torná-la interessante?”. E ele respondeu decidido que ela, em sua busca por ser uma melhor escritora, deveria fazer de si uma pessoa mais interessante.

Nós gostamos de nos separar de nossos trabalhos. É a escrita (como no caso acima) que é desinteressante no estilo ou estrutura ou substância, não a gente. Porque para aceitar o oposto é aceitar toda a responsabilidade do nosso próprio ser e assim afirmar que o problema está nós e não em nossas habilidades.

Olhando para isso de uma forma um pouco mais quente (e tirando um pouco do estilo e candura de Barry), o escritor e artista Austin Kleon em seu livro Show you work, sugere que nós pensamos sobre “ser interessante” na maneira que seu amigo autor Lawrence Weschler fez:

“Para ele, ser ‘interessante’ é ser curioso e atento, e praticar ‘a projeção contínua do interesse’. Simplificando: para ser interessante, você precisa ser interessado”.

‘Sendo interessado’ de acordo com Kleon, significa ser curioso com o mundo a nossa volta, para constantemente questionar e se informar. Como J. Maureen Henderson diz aos seus estudantes:

“Existem muitos caminhos para se tornar uma pessoa interessante, mas todos eles envolvem desenvolver sua curiosidade e seu desejo por saber e entender – você mesmo, os outros e o mundo ao seu redor”.

Curiosidade, todos acima diriam, é um traço que lhe ajudará a ter uma melhor compreensão da vida, das pessoas em sua volta, e de si mesmo. Especialmente no convívio social onde todos nós somos sugestionados a ler as mesmas coisas, repetir os mesmos mantras. É importante se lembrar de olhar para cima de vez em quando e também olhar além do horizonte.

É apenas através dessa profunda curiosidade pelo mundo em geral, e não apenas nas coisas em nossa zona de conforto, que teremos o tipo de pensamento que muda a vida das pessoas – que muda o mundo.

Encarando o desconhecido

by berkozturk http://www.deviantart.com/
by berkozturk
http://www.deviantart.com/

Existe apenas um problema com essa solução: nós, naturalmente, tememos o desconhecido.

Tanto que os estudos básicos da natureza humana mostram que nós tememos mais o resultado desconhecido do que o conhecido ruim. Na verdade nós estamos dispostos a nos machucar apenas para evitar o desconhecido. É por isso que maus hábitos são difíceis de quebrar: nós preferimos conviver com o demônio que conhecemos.

Quando estamos frente a situações de fora da nossa bolha, sentimos ansiedade e pressão elevadas. Essa incerteza nos faz responder mais fortemente a experiências negativas. Então, quando finalmente saímos de nossa bolha e algo dá errado, aquele momento fica para sempre conosco de uma maneira que uma experiência positiva não fica. É muito mais fácil para nós simplesmente agarrarmos em nossas crenças, pois elas nos mantém à sombra da segurança do que nos é conhecido.

Quanto mais nos apegarmos a esses medos, maior se torna nossa zona de conforto, e menos provável tentemos coisas novas ou avancemos além de nossas obrigações e limites preestabelecidos.

Ser curioso e ativamente engajado com o desconhecido e estranho, não apenas nos torna mais inteligentes, como realmente nos torna mais bem equipados para lidar com a vida.

Permanecer na nossa bolha, pode nos manter seguros da ansiedade, mas descobrir um pouco da profunda verdade humana (quando nós menos esperamos) é  o que torna a vida “mágica”.

Tudo bem ter uma bolha. Para a maioria de nós, é a única maneira que conhecemos de viver. Mas de vez em quando nós precisamos dar um passo para fora. Olhar para as coisas além do habitual que irá nos iluminar, nos inspirar e trazer alegria. Todos os dias nos são apresentadas novas oportunidades de dar esse passo além da bolha, e experimentar a vida ao máximo. Tudo que você sempre imaginou está lá fora em algum lugar. Você apenas tem que abrir seus olhos e procurar.

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Thalitha Miranda
Thálitha Miranda é autodidata em design gráfico porque não consegue decidir se, quando crescer, será arqueóloga e viverá no passado ou embarcará em avanços da arte virtual e, assim, viver no presente/futuro. Faz o que pode, só que às vezes não faz sentido. Diz que nunca consegue tomar uma decisão que seja para sempre, mas adora tatuagens. Tatuagem é pra sempre?




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