No momento em que o Congresso está decidindo a extensão do auxílio emergencial, uma pesquisa aponta que quase 19 milhões não têm o comer e quase 117 milhões não se alimentam como deveriam.

A fome é o maior problema solucionável do mundo, diz ONU. E podemos compreender porque é solucionável, pois aqui mesmo no Brasil, só o auxílio paletó pago aos parlamentares, daria para alimentar 37 mil famílias por 4 anos. Como isso não fosse o bastante para nos deixar injuriados, refletimos ainda que, tanta riqueza produzida em forma de alimentos e milhões de pessoas sem ter o que comer. Porque o alimento feito para matar a fome não vai para quem tem fome, só vai para quem tem dinheiro.

A fome no Brasil também tem cara e tem cor: mulheres da periferia, chefes de família, negras, com pouco estudo. A pesquisa, feita em 128 municípios, mostra que a pandemia acelerou um processo que o país já estava enfrentando desde 2015.

No Norte e Nordeste estão os maiores percentuais de perda de emprego, redução de rendimento familiar e corte de despesas. Quase quase 60% dos entrevistados dessas regiões contaram com auxilio emergencial.

A nova rodada do benefício começa a ser paga na próxima terça-feira (6) para quem já está cadastrado no aplicativo da Caixa ou no Cadastro Único. Desta vez, o auxílio vai para um número menor de pessoas. O valor também diminuiu: serão quatro parcelas, de R$ 150 para quem mora sozinho e de R$ 375 para mães que são chefes de família.

Não fosse a ação de ONGs como estas famílias estariam?

Fundada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, a Ação da Cidadania nasceu em 1993, formando uma imensa rede de mobilização de alcance nacional para ajudar 32 milhões de brasileiros que, segundo dados do Ipea, estavam abaixo da linha da pobreza. Criada no auge do Movimento pela Ética na Política, a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida se transformou no movimento social mais reconhecido do Brasil. Se você puder contribuir, acesse aqui.

É verdade que nem sempre conseguiremos impedir que injustiças aconteçam, mas sempre teremos um meio de protestar contra elas. Compartilhar esta matéria é meio de protestar.

Assista no vídeo abaixo uma entrevista com o economista Francisco Menezes, analista de políticas da Action Aid no Brasil e ex-presidente do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) e a socióloga Kátia Maia (capa) diretora da Oxfam Brasil.

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