Bilionários brasileiros estão US$ 34 bilhões mais ricos durante a pandemia

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Segundo estudo publicado pela ONG Oxfam Internacional, a desigualdade econômica no Brasil atingiu níveis extremos, apesar de ser uma das maiores economias do mundo. As últimas décadas viram um progresso incrível em todo o Brasil. O país conseguiu reduzir um pouco a desigualdade, tirando milhões de pessoas da pobreza extrema. Mas, apesar dessa evolução, o ritmo tem sido muito lento e o gigante latino-americano ainda está listado como um dos países mais desiguais do planeta.

50 milhões de latino-americanos estarão abaixo da linha da pobreza este ano

O patrimônio dos bilionários brasileiros aumentou US$ 34 bilhões (cerca de R$ 177 bilhões) durante a pandemia de coronavírus, segundo um levantamento da ONG Oxfam divulgado nesta segunda-feira (27). Em paralelo com o aumento da quantidade de bilionários na América Latina e no Caribe, o número de desempregados também cresce. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) já apurou que a pandemia de coronavírus deixou 41 milhões de desempregados na região. Já o Banco Mundial estima que 50 milhões de latino-americanos estarão abaixo da linha da pobreza este ano

A Covid-19 não é igual para todos

“A Covid-19 não é igual para todos. Enquanto a maioria da população se arrisca a ser contaminada para não perder emprego ou para comprar o alimento da sua família, os bilionários não têm com o que se preocupar”, diz a diretora executiva da Oxfam, Katia Maia.

Segundo a ONG, desde o início das medidas de distanciamento social adotadas para evitar a proliferação coronavírus, oito novos bilionários surgiram – um a cada duas semanas. Em paralelo com o aumento da quantidade de bilionários na América Latina e no Caribe, o número de desempregados também cresce. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) já apurou que a pandemia de coronavírus deixou 41 milhões de desempregados na região. Já o Banco Mundial estima que 50 milhões de latino-americanos cairão abaixo da linha da pobreza este ano.

“Ninguém parece ter coragem de tocar nos privilégios dos mais ricos”

No documento batizado de Quem Paga a Conta? – Taxar a Riqueza para Enfrentar a Crise da Covid na América Latina e Caribe,“ninguém parece ter coragem de tocar nos privilégios dos mais ricos, que nunca pagaram uma parte justa de impostos”, afirma Katia Maia.

A Oxfam propõe que os bilionários paguem um imposto extraordinário sobre grandes fortunas, resgates públicos a grandes empresas com condições, redução de impostos para pessoas em situação de pobreza, imposto sobre resultados extraordinários de grandes corporações, imposto digital, deter a enorme perda de arrecadação por conta da evasão fiscal e elevar ou criar taxas sobre rendimentos de capital.

A reforma tributária no Brasil precisa ser profunda e estrutural, aponta a Oxfam. “No Brasil, a discussão da reforma tributária não tem levado em conta a necessidade de se reestruturar o sistema para torná-lo mais progressivo e indutor da redução das desigualdades, conforme prevê a Constituição brasileira”.

Brasil: medo, desesperança, desemprego, fome

O relatório da Oxfam destaca que o Brasil se transformou no vice-líder do mundo em número de pessoas contaminadas e mortas pelo novo coronavírus, oficialmente denominado Sars-Cov-2, causador da doença ou infecção covid-19.

Até a tarde desta segunda-feira (27/07), as vitimas testadas, já passaram de 2.420.143. Dentre elas 87.058 mil perderam suas vidas. Vidas que não são apenas estatísticas, não são apenas números, são – com certeza – amores de alguém, que poderiam ainda estarem vivos.

“Esses números ainda parecem estar amplamente subestimados, já que a subnotificação de casos é reconhecida até mesmo pelas autoridades públicas. O Brasil testa sete vezes menos (por milhão de habitantes) que os Estados Unidos, país que encabeça o ranking de infectados, e 3,5 vezes menos que o Peru, segundo país latino-americano em casos”, diz a Oxfam.

A trajetória do vírus, continua o relatório, “é uma fotografia das profundas desigualdades do país”. O Brasil tinha 40 milhões de trabalhadores informais e 11,9 milhões de desempregados antes da pandemia. Após a pandemia, horizonte que ainda nem mesmo a ciência consegue apontar com clareza, o quadro deve se agravar muito.

“As expectativas apontam que o desemprego pós-pandemia pode aumentar para taxas de 15%, com 16 milhões de desempregados”.

O “racismo estrutural do país”, segundo o relatório da Oxfam, também é fator relevante quando se analisa a pandemia, já que 75% dos mais pobres no país são pessoas negras. “Não surpreende que os números mostrem que as pessoas negras e pobres correspondam ao perfil de vítima mais comum da Covid-19 no Brasil, representando 6 de cada 10 mortes”.

Todo esse grande mal e muitos outros poderiam ser evitados se:

  • Exigissem que os multibilionários pagassem seus impostos;
  • Tirassem as mordomias dos políticos, pois só o auxilio paletó daria para alimentar 17 mil famílias por 4 anos;
  • Exigissem que as famílias mais ricas do mundo, ‘devolvessem’ o usurpado dinheiro à explorada classe trabalhadora, gerando empregos com equidade, expropriando imoveis desocupados para os sem-tetos e garantindo o sustento de suas famílias durante a pandemia.

Se as seis pessoas mais ricos do Brasil juntassem suas riquezas e gastassem um milhão de reais por dia para alimentar os 16 bilhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, seriam necessários 36 anos para gastar todo o seu dinheiro.

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