A humanidade se tornou uma arma de extinção em massa e os governos devem acabar com a ‘orgia da destruição’, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, no início da Cop15 da biodiversidade:

“Estamos em desarmonia com a natureza. Na verdade, estamos tocando uma música totalmente diferente. Em todo o mundo, por centenas de anos, conduzimos uma cacofonia de caos, tocada com instrumentos de destruição. O desmatamento e a desertificação estão criando terrenos baldios de ecossistemas outrora prósperos. Nossa terra, água e ar estão envenenados por produtos químicos e pesticidas e sufocados por plásticos… A lição mais importante que transmitimos às crianças é assumir a responsabilidade por suas ações. Que exemplo estamos dando quando nós mesmos estamos falhando neste teste básico? Além dos sonhos ilusórios dos bilionários, não existe Planeta B”.

Disse Guterres na cerimônia de abertura da conferência em Montreal, Canadá , onde os governos iniciarão negociações formais para as metas de biodiversidade da ONU para esta década, na quarta-feira 07/12/2022.

Na cerimônia também, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, pediu aos países que cheguem a um acordo final para conservar 30% da Terra para a natureza: “Não escolhemos esse número de 30% aleatoriamente. É o limiar crítico segundo os maiores cientistas para evitar o risco de extinção e também para garantir nossa segurança alimentar e econômica. Trinta por cento, isso é bastante viável”.

A meta, conhecida como “ 30×30 ” (proteger 30% das terras e mares globais até 2030), é a proposta mais importante sob consideração dos governos para o acordo desta década para proteger a biodiversidade. Liderado pelo Reino Unido, Costa Rica e França, tem o apoio de uma coalizão de mais de 100 países.

Essa estratégia defende uma conservação equilibrada da biodiversidade da fauna, da flora, de fontes primárias de produção de água e, ainda, em grande medida, na manutenção de culturas tradicionais. Como a maior biodiversidade do planeta é o Brasil, este precisa de uma especial atenção para a questão do acesso a recursos genéticos e repartição de benefícios pelo seu uso econômico.

Vale ressaltar que sem a manutenção das paisagens naturais (florestas, mangues, estepes, pradarias, rios, oceanos…) os esforços para conter as mudanças climáticas serão ineficientes. Precisamos conciliar as decisões de clima e de biodiversidade para termos efetividade. Mas, para garantir a efetividade dessas metas arrojadas, é necessária uma aproximação maior entre governo, sociedade civil e empresas, para que os diversos atores possam ter mais conhecimento e possam se comprometer a colaborar com ações concretas que auxiliem o Brasil a ir além de suas metas.

As COPs são eventos que reúnem representantes de países-membros que, por sua vez, celebram acordos que podem parecer assuntos distantes para a população, mas que têm em comum a busca por uma convivência harmônica entre as pessoas e a natureza. Essas decisões afetam a vida de todos e todas.

Fontes pesquisadas: The Guardian e The Nature Conservancy

 

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